Na mais recente entrevista do Primeiro
Ministro, este confessou que a decisão mais difícil que teve de tomar face à pandemia
foi quando, no dia 12 de Março, anunciou o encerramento das escolas. Na véspera,
o Conselho Nacional de Saúde Pública não se pronunciara favoravelmente pelo
encerramento generalizado de escolas, esclarecendo que apenas naquelas zonas
onde os serviços de saúde o recomendassem se devia fazê-lo. Recordo que a
Universidade do Minho encerrara, por deliberação do Reitor, no dia 8, e também estavam fechadas as escolas dos
concelhos de Felgueiras e Lousada e algumas da Amadora e Portimão. Existia no
entanto uma forte pressão das associações representativas de pais e de escolas,
para o encerramento, e começava a falar-se num “alarme social” latente.
The past is malleable and flexible, changing as our recollection interprets and re-explains what has happened.... Peter Berger
2020/05/17
2020/05/11
O #EstudoEmCasa
Depois de três semanas de #EstudoEmCasa é possível uma
tentativa de primeira avaliação, na generalidade, à iniciativa do Ministério da
Educação como resposta à continuação da proibição de abertura das escolas e,
portanto, de aulas em regime presencial. Essa análise, porém, limita-se apenas
às peças transmitidas pela televisão, não considerando (por desconhecimento)
que apoios tiveram os alunos, com ou sem internet, como suportes escritos para
professores e alunos, e outros.
É certo que vou deixar sem resposta um dos motivos da minha
curiosidade, que era, como disse em texto anterior, saber “como vão ser integrados os elementos fornecidos via TV na
programação que os professores irão gizar nas suas disciplinas”.
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2020/05/07
Dia Mundial da Língua Portuguesa
Foi ontem o dia mundial da língua portuguesa. Lembremos como
no século XVI havia uma preocupação maior do que hoje com a nossa língua.
Floresça,
fale, cante, oiça-se e viva
A portuguesa
língua, e já onde for,
Senhora vá
de si, soberba e altiva.
Se té qui
esteve baixa e sem louvor,
Culpa é dos
que a mal exercitaram,
Esquecimento
nosso, e desamor.
(António
Ferreira, Poemas Lusitanos)
'E
verdadeiramente que não tenho a nossa língua por grosseira nem por bons os
argumentos com que alguns querem provar que é essa; antes é branda para
deleitar, grave para engrandecer, eficaz para mover, doce para pronunciar,
breve para resolver e acomodada às matérias mais importantes da prática e
escritura.
Para falar,
é engraçada, com um modo senhoril; para cantar, é suave, com um certo
sentimento que favorece a música; para pregar , é substanciosa, com uma
gravidade que autoriza as razões e as sentenças; para escrever cartas, nem tem
infinita cópia que dane, nem brevidade estéril que a limite; para histórias,
nem é tão florida que se derrame, nem tão seca que busque o favor das alheias.
A
pronunciação não obriga a ferir o céu da boca com aspereza, nem a arrancar as
palavras com veemência do gargalo.
Escreve-se
da maneira que se lê, e assim se fala.
Tem de todas
as línguas o melhor: a pronunciação da latina, a origem da grega, a
familiaridade da castelhana, a brandura da francesa, a elegância da italiana.
Tem mais adágios e sentenças que todas as vulgares, em fé de sua antiguidade.
E, se à língua hebreia, pela honestidade das palavras, chamaram santa, certo
que não sei eu outra que tanto fuja de palavras claras em matéria descomposta,
quanto a nossa. E, para que diga tudo, um só mal tem, e é que, pelo pouco que
lhe querem seus naturais, a trazem mais remendada que capa de pedinte!'
(Francisco
Rodrigues Lobo, A Corte na Aldeia)
Hoje, depois
do triste desfecho do acordo ortográfico que parece ninguém querer reconhecer, temos
de nos contentar em relembrar os clássicos…
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Língua portuguesa
2020/05/04
De desconfinado a desconfiado: reflexões de um velho
Há quarenta e sete dias que não
saía de casa. Saí hoje, uma vez que disciplinadamente me foi permitido fazê-lo:
fui desconfinado! Não o digo com azedume. Compreendi muito bem que o que me
pediam tinha fundamento e abdiquei, com pena mas sem esforço, do hábito que há uns
três anos criara de caminhar, todos os dias, perto de cinco quilómetros. Isto a
bem da minha saúde futura. Porque, apesar dos meus 84 anos, continuo a pensar
que tenho futuro. É evidente que eu sou um privilegiado: estou na minha casa,
suficientemente ampla e confortável, com todos os meios de comunicação
actualmente disponíveis, com a minha Mulher, e com a assistência da Filha que,
embora a distância, continua diariamente connosco, partilhando até, via Skype,
as refeições festivas das datas que calharam neste tempo esquisito, os dias do
Pai e da Mãe e o dia dos meus anos. Penso muitas vezes em quem não tem esta
sorte, os que vivem em lares ou sozinhos, sem família, em condições precárias.
Reconheço a dificuldade em tentar resolver o problema, mas esse teria de ter tido,
porventura, maior atenção.
2020/04/26
Curiosidades…
Ao reler uns textos publicados n’A
Memória Flutuante dos tempos da troika, deparei com um post que começava
assim:
Leio no Público de hoje (16 de Agosto de 2011) que Nuno
Crato, ao discursar ontem em Gouveia, terá dito que “(m)ais do que computadores
ou quadros interactivos o que mais falta faz nas escolas é empenho”.
Sempre revelei a minha discordância com algumas das posições de Nuno Crato,
e não resisti a contrariar esta afirmação, não porque discordasse da necessidade
de termos nas escolas professores empenhados, mas porque considerava infeliz a pouca importância que o ministro dava às tecnologias.
Hoje, louvamos o empenho dos professores e penalizamo-nos por não termos
dado, ao longo dos anos, mais importância à existência (e à utilização) dos
computadores.
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