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2021/02/08

 

SERÁ POSSÍVEL ENTENDERMO-NOS?

Na noite de ontem, os três canais de TV que dispõem de um serviço noticioso (SIC-N, TVI24 e RTP3) dedicaram tempo ao recomeço do ensino a distância, dando a voz a dois ex-ministros da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues (MLR) e Nuno Crato (NC), uma economista que de vez em quando escreve sobre educação, Susana Peralta (SP), e um professor do ensino básico, Paulo Guinote (PG).

Se procurássemos um denominador comum às diferentes vozes escutadas, talvez fosse aceitável uma frase de NC que, de algum modo, teria sido subscrita por todos; “Nada substitui o ensino presencial”. Houve outros temas comuns, como o facto de as crianças desprotegidas serem mais prejudicadas, de a situação de algumas famílias não lhes permitir dar acompanhamento aos filhos no seu estudo em casa, e houve críticas ao Ministério da Educação pelo facto de não existirem os equipamentos prometidos em Abril do ano passado. Inteiramente de acordo na censura ao Ministério por essa falha.

Centro-me no tal denominador comum: “Nada substitui o ensino presencial”. Ora, vamos lá ver se é possível entendermo-nos. Eu penso que poucas pessoas pensarão no desaparecimento das escolas, apesar do interesse que na altura despertou o livro de Illich Deschooling Society. Ninguém quer prescindir da acção dos professores. Mas muitos pensam (e estou com eles) que a escola tradicional tem de se adaptar aos novos tempos e contar com a verdadeira revolução digital que transformou o nosso modo de viver. Desde os anos 80 do século passado que Portugal acertou o passo no caminho do digital na educação: quem se lembra do projecto MINERVA? e, mais tarde, do NÓNIO, Século XXI? E, recentemente, do programa Escola Digital? Mais: não existiu – e existe – em Portugal, a Escola Móvel, um projecto para apoio de crianças e jovens filhos de pais itinerantes, que utiliza a Internet para a sua consecução?

Vamos esquecer tudo isso e, porque numa emergência dificílima, quando se teve de organizar um ensino a distância para todas as escolas do sistema, nem tudo correu bem, varrer das nossas preocupações a integração das tecnologias nos projectos curriculares das escolas?

Portanto, deixem-me sugerir uma mudança na frase que comentei. Não é “nada substitui o ensino presencial”, é “nada substitui o papel do professor na escola”. Isto é: escola e professores são essenciais, mas muito pode ser feito no sentido de aproveitar um meio a que a generalidade dos alunos tem acesso para benefício das suas aprendizagens.

Mais um ou dois comentários à noite de ontem. O retrato que foi feito das condições de parte das crianças e jovens carenciados por SP, que como bem disse MLR, é conhecido, só por si é condição que sugere maiores dificuldades de aprendizagens escolares. Infelizmente é uma situação que ainda não foi resolvida em democracia. E a escola não pode, por si, resolvê-la.

PG, como professor, elencou com clareza todos os problemas que o ensino a distância levanta, que são muitos e, em alguns casos, sérios. Reconheceu, contudo, que é possível que em algumas situações, escolas e professores consigam resultados interessantes. Mostrou-se crítico da “tutela” (termo que não ouvia há muito) o que penso possa ser um sentimento comum a muitos professores.

Uma última palavra para NC, que apareceu calmo a desejar que no futuro houvesse um currículo ambicioso. Não lhe perguntaram o que era isso, portanto…

2021/02/07

 

AMANHÃ…

… regressa o ensino a distância em Portugal. Como em Março, regressa por uma emergência e não por ter sido definido um plano em que a sua implementação tivesse um enquadramento em que escolas, professores, alunos, e comunidade escolar, tivessem uma informação clara e sobretudo atempada.

Os dados estão lançados, e por isso, resta-nos estar atentos ao que vai acontecer, principalmente as decisões do poder central e ao modo como as escolas vão interpretar a sua autonomia para gerir este novo período de um ensino a distância.

Pela minha parte, confinado e apenas informado pelo que oiço, vejo e leio, estarei atento e sempre que possível darei conta do que penso.

2020/05/11

O #EstudoEmCasa


Depois de três semanas de #EstudoEmCasa é possível uma tentativa de primeira avaliação, na generalidade, à iniciativa do Ministério da Educação como resposta à continuação da proibição de abertura das escolas e, portanto, de aulas em regime presencial. Essa análise, porém, limita-se apenas às peças transmitidas pela televisão, não considerando (por desconhecimento) que apoios tiveram os alunos, com ou sem internet, como suportes escritos para professores e alunos, e outros.

É certo que vou deixar sem resposta um dos motivos da minha curiosidade, que era, como disse em texto anterior, saber “como vão ser integrados os elementos fornecidos via TV na programação que os professores irão gizar nas suas disciplinas”.