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2021/02/27

PLANOS

De há uns tempos para cá, muita gente clama por um plano para o desconfinamento, o qual deve ser organizado pelo Governo. O Primeiro Ministro disse ontem (26 de Fevereiro) que apresentaria esse plano no próximo dia 11 de Março, pelo que resta esperarmos mais alguns dias.

Na primeira vez que tive de colaborar na elaboração de um plano que não fosse trivial, como planear como passar o domingo, recebi de um colega uma sensata prevenção: “Meu caro, os planos são para furar!” O que, traduzido em linguagem não alegórica, significa que um plano não dá garantias de ser executado como prevê, porque isso raramente – ou nunca – acontece. E isto não tem mal nenhum, pelo contrário; ter um plano é excelente porque nos conserva dentro dos limites que nos levem a atingir o objectivo, mas o como alcançar esse objectivo pode requerer, de acordo com as circunstâncias de momento, alterar a estratégia que esteve na base da sua construção.  

Ora eu não creio que a esmagadora maioria dos que exigem o plano de desconfinamento esteja consciente do que acabei de dizer. Uns, porque não entendem; outros, porque entendem mas dá jeito, seja por que motivo for, reclamar porque o plano não foi cumprido. Temos o exemplo recente do plano de vacinação: existe, mas já teve de ser alterado: bastou que os prazos de entrega das vacinas não fossem cumpridos…

Compreendo pois muito bem a razão de o Governo não ter pressa em apresentar um plano. Porque quando o fizer, em 11 de Março, toda a gente vai tomar conta das datas e ser implacável se elas tiverem de ser alteradas. A não ser que não existam datas mas indicadores de situação – o que seria, porventura, preferível. A ver vamos.

2020/05/17

Amanhã: “a teimosia de haver exames” …


Na mais recente entrevista do Primeiro Ministro, este confessou que a decisão mais difícil que teve de tomar face à pandemia foi quando, no dia 12 de Março, anunciou o encerramento das escolas. Na véspera, o Conselho Nacional de Saúde Pública não se pronunciara favoravelmente pelo encerramento generalizado de escolas, esclarecendo que apenas naquelas zonas onde os serviços de saúde o recomendassem se devia fazê-lo. Recordo que a Universidade do Minho encerrara, por deliberação do Reitor, no dia  8, e também estavam fechadas as escolas dos concelhos de Felgueiras e Lousada e algumas da Amadora e Portimão. Existia no entanto uma forte pressão das associações representativas de pais e de escolas, para o encerramento, e começava a falar-se num “alarme social” latente.

2020/04/08

Consequências do Covid-19 na educação: que fazer do resto do ano lectivo?


Tenho pensado em como se pode (ou, talvez com mais propriedade, como se deve) decidir o complicado problema do presente ano lectivo, interrompido pelo surto do Covid-19. Algumas vezes, faço-o como se partilhasse alguma responsabilidade como quadro do Ministério da Educação (situação em que estive no passado durante uns anos); outras como professor, que fui durante muito tempo: cerca de nove anos no ensino secundário, dois numa escola do magistério primário, e mais de vinte no ensino superior (politécnico e universitário), neste último caso como docente, tendo exercido alguns cargos de gestão.

É verdade que há praticamente catorze anos estou afastado das lides escolares, mas acredito que apesar das mudanças – ou, talvez, por causa delas – o meu pensamento não terá perdido a vertente de coerência que sempre quis manter. Por isso senti-me hoje tentado a pôr por escrito o que tenho pensado. Previno que o que vou dizer aplica-se quer ao ensino dispensado pela escola pública quer ao privado. E ainda que não faço qualquer referência aos alunos que na escola inclusiva (que se deseja) tenham dificuldades de aprendizagem.