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2020/05/04

De desconfinado a desconfiado: reflexões de um velho


Há quarenta e sete dias que não saía de casa. Saí hoje, uma vez que disciplinadamente me foi permitido fazê-lo: fui desconfinado! Não o digo com azedume. Compreendi muito bem que o que me pediam tinha fundamento e abdiquei, com pena mas sem esforço, do hábito que há uns três anos criara de caminhar, todos os dias, perto de cinco quilómetros. Isto a bem da minha saúde futura. Porque, apesar dos meus 84 anos, continuo a pensar que tenho futuro. É evidente que eu sou um privilegiado: estou na minha casa, suficientemente ampla e confortável, com todos os meios de comunicação actualmente disponíveis, com a minha Mulher, e com a assistência da Filha que, embora a distância, continua diariamente connosco, partilhando até, via Skype, as refeições festivas das datas que calharam neste tempo esquisito, os dias do Pai e da Mãe e o dia dos meus anos. Penso muitas vezes em quem não tem esta sorte, os que vivem em lares ou sozinhos, sem família, em condições precárias. Reconheço a dificuldade em tentar resolver o problema, mas esse teria de ter tido, porventura, maior atenção.