2007/01/19

Mudança


Preparo uma mudança – por ora, só do meu gabinete… Dentro de alguns dias, o Instituto onde ainda conservo o meu gabinete vai mudar-se das suas instalações, fora do campus universitário, para um edifício novo, construído em Gualtar, e no qual estarão também os colegas do Instituto de Educação e Psicologia. Agrada-me a mudança – embora afastado da leccionação, de vez em vez irei ao meu novo gabinete e gosto de estar no ambiente multifacetado do campus, encontrar colegas de outras escolas, ver outros alunos.

O problema é decidir o que fazer com os montes de papel que acumulei em mais de dez anos. O espaço em Gualtar é menor do que aquele que tenho aqui. O problema é que tenho sempre uma enorme dificuldade em desfazer-me de documentos do passado: por isso adiei, até hoje, o começo da tarefa. Tenho mesmo de deitar para o lixo, ou melhor, enviar para a reciclagem, todo esse papel, com algumas excepções, claro; e isso obriga a um certo cuidado na análise do que me passa pelas mãos…

Se tivesse tempo, era capaz de digitalizar muita coisa, mas não tenho (nem tempo e talvez nem paciência). Vou meter mãos à obra, e estou certo que nesta tarefa a minha memória flutuará, ao gosto deste blog, com muita frequência… Aqui é uma tese de mestrado que me agradou especialmente e da qual não me quero desfazer; ali, é um dossier de um grupo de trabalho complicado que, por isso, quero igualmente conservar… Ou um jornal com uma notícia que no tempo foi importante… ou uma fotografia… E, sinal dos tempos, uma disquette de 1.44 guardada num envelope da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança da qual não tenho mesmo memória alguma…

Apesar de tudo, não vai ser desinteressante este trabalho!

2007/01/15

E esta, hein?

Acabo de publicar a justificação para não ter acesso a comentários, e que vejo? Que nesse post já são permitidos... Bom, agora só falta conseguir eliminar os vocábulos esquisitos (como "postado" por publicado)...

Uma justificação


Durante a minha ausência houve alterações na estrutura do blogger. Acontece que, ao “migrar” para o novo modelo, perdi a funcionalidade de permitir comentários, embora uma exploração mais ou menos cuidada do “template” permita ver que tal funcionalidade está lá. As minhas fragilidades informáticas não me permitiram, até agora, resolver o problema, mas espero consegui-lo, mais dia menos dia…
Com este post, apenas quero que os meus leitores saibam que não me tornei autista, repudiando comentários, mesmo correndo o risco (que já aconteceu) de ter de ler um ou outro bem pouco próprios.

2007/01/11

Quando o telefone toca…


O meu telefone fixo já toca pouco… Os telemóveis alteraram profundamente os padrões de comunicação que eram normais e a verdade é que se contam pelos dedos as chamadas que tenho de atender pela via tradicional. Mais: agora, quando o telefone toca, tenho praticamente a certeza que se trata de uma chamada indesejável, como são todas as que procuram vender qualquer coisa, oferecer o impossível ou, simplesmente, inquirir numa sondagem (porventura, a menos má de todas elas…).

Ao princípio, era paciente, ainda ouvia os primeiros minutos, mas percebi que quanto mais ouvisse mais difícil se tornava acabar a conversa a bem; assim, mal percebo que quem está do outro lado foi apenas à lista telefónica caçar o meu nome e número, arrumo a questão com um “Desculpe, mas não estou interessado” e normalmente isso chega. Se a interlocutora (normalmente é uma senhora) tenta contradizer, digo-lhe que compreendo que ela está a ganhar a sua vida e que por isso anote que fez a chamada e que o potencial cliente declarou o seu não interesse, mas não mace mais. E isso põe ponto final.

Outro dia, porém, a senhora que fazia a chamada nem assim parou, e como estava a propor a compra de uns livros de história de arte, achou por bem perguntar: “Mas o senhor C. não gosta de história de arte?” Aí o verniz estalou um pouco – mas não terei resvalado para a má educação. Apenas lhe fiz ver que a insistência não seria a melhor estratégia para certos “clientes”, desejei boas tardes e desliguei.
E fiquei a pensar no tempo em que não havia telemóveis e o telefone tocava mais vezes – mas nos maçava muito menos!

2007/01/08

A propósito dos 225 anos do Martinho da Arcada: os meus cafés de Lisboa


O Martinho da Arcada nunca foi um café que frequentasse – ficava longe dos sítios por onde passava. Nos anos 50, enquanto estudante nos últimos anos do liceu, houve dois cafés nos quais era assíduo: o Monumental e o Monte Carlo, ao Saldanha. Curiosamente nunca me fixei num só, ia num dia a um, noutro dia a outro. Na zona do meu liceu – o D. João de Castro – descia algumas vezes à Junqueira com colegas para uma bica no Estrela da Manhã (que creio ainda existe).

Há cinquenta anos Lisboa tinha muitos cafés. Quando entrei na Faculdade de Letras, e atendendo à sua relativa proximidade do Chiado, passei a ir algumas vezes à Brasileira, mas não deixei de frequentemente tomar a bica no Chave d’Ouro, no Martinho (o “outro”, ao pé do teatro Nacional, que desapareceu…) ou no Nicola, e, no verão, passei muito tempo de conversa com colegas nas esplanadas da Avenida da Liberdade. Mais tarde procurei com alguma frequência o Império (que reabriu há pouco tempo), quase sempre associado a uma ida ao cinema ou ao teatro…

Não fazendo bem uma “vida de café”, e muito de acordo com a época, muitos passos da minha existência estão ligados a cafés. Ou pastelarias… Recordo que um dos primeiros posts da Memória foi para evocar a Cister, na Rua da Escola Politécnica. Por falar em pastelarias, na zona da minha residência também parava muitas vezes na Sequeira & Sequeira (esquina da Duque d’Ávila com a Avenida da República), que ainda existe, e na Ideal das Avenidas (ao Campo Pequeno), que acabou. Na Baixa, ir à Nacional era frequente…

Assisti, depois, ao encerramento progressivo de quase todos os cafés – só o Nicola continua, daqueles que mencionei – transformados em agências bancárias.

Tenho algumas saudades desses tempos em que passava horas sentado a uma mesa, conversando, lendo ou escrevendo, a troco de uma bica e um copo de água, e onde era raro ver entrar alguém para beber um café ao balcão…

Outros tempos, claro. Mas não fica mal ter saudades…