Leio no Diário de Notícias de hoje que pais e professores (neste caso, o Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais e um Presidente de um Sindicato de Professores) estão de acordo com a medida da obrigatoriedade do 12º ano (aliás, já prometida há muito) mas previnem que "é preciso adaptar os currículos". Deixando de lado a expressão "adaptar", que não me agrada, devo dizer que é extremamente lúcida esta posição, e espero que o Ministério da Educação faça o que deve, ou seja, analise cuidadosamente todas as implicações da medida e proponha na verdade currículos que sirvam os interesses de todos os potenciais alunos no novo sistema. Já existem no país condições (e "know how") suficientes para não enveredar por soluções demasiadamente rígidas e quase sempre ineficazes.
The past is malleable and flexible, changing as our recollection interprets and re-explains what has happened.... Peter Berger
2009/04/23
2009/04/13
Estação de caminhos de ferro de Braga, às 17 e 50 do dia 8 de Abril de 2009
Regresso a Lisboa depois de um dia de trabalho (quem diria!) em Braga. Entro na estação de caminhos de ferro, que tão bem conheço, e dirijo-me para o comboio Alfa que partirá dentro de minutos. Vejo, num dos poucos bancos existentes na gare, um pequeno grupo - duas senhoras e um rapazinho de nove, dez anos (porventura menos?). A criança é de raça negra, e está atenta a qualquer coisa que tem no colo. Ao aproximar-me, percebi o objecto do interesse: um computador Magalhães!
Fiquei surpreso - o tempo é de férias escolares... Fiquei, para além de surpreso, contente: ainda à hora do almoço estivera, com colegas, a falar sobre o Magalhães, e soubera coisas interessantes. Para além de todas as polémicas, o que é importante é que o investimento feito seja reprodutivo. Pelos vistos, está a ser.
2009/04/06
De uma viagem a Roma...
Confesso que tenho admiração pelo Primeiro Ministro José Sócrates. Ela começou quando ele estava no Ministério do Ambiente, pois apreciei a sua coerência e determinação quando do problema da co-incineração. Tal admiração não me inibe contudo de não concordar com todas as suas ideias e decisões, mas mesmo assim creio que desempenhou um papel muito importante num momento muito delicado para o país. Depois, teve pouca sorte, ampliada pela muito nossa mania de sermos sempre mais do "contra" do que do "pró".
Bom, a que vem esta prosa? É bom nunca perder algum sentido de humor... Estive em Roma neste fim de semana e ao descer a Via Nazionale deparei com o que podem ver na figura que ilustra este post. E pensei que se as coisas não correrem bem ao nosso Primeiro Ministro, ele, que até já foi considerado elegante no trajar, poderia associar-se ao camiseiro que tem o seu nome em Roma...
Bom, a que vem esta prosa? É bom nunca perder algum sentido de humor... Estive em Roma neste fim de semana e ao descer a Via Nazionale deparei com o que podem ver na figura que ilustra este post. E pensei que se as coisas não correrem bem ao nosso Primeiro Ministro, ele, que até já foi considerado elegante no trajar, poderia associar-se ao camiseiro que tem o seu nome em Roma...
Sinceramente, não o desejo, mas se as "serpentes" de cá forem demasiado venenosas, talvez a mudança para a Via dei serpenti romana seja uma boa opção!
2009/04/01
O caso Névoa
Vivi tempo suficiente em Braga (14 anos...) para ter ouvido inúmeras insinuações sobre Domingos Névoa, todas elas, claro, desabonatórias em relação à sua maneira de estar na vida. Sempre insinuações, ou, se quisermos, boatos. Sendo boatos, como boatos os entendi e a pessoa de Domingos Névoa merecia-me o respeito que confiro a todas as pessoas.
Acontece que, como todos sabem, Domingos Névoa foi a tribunal num processo de tentativa de corrupção a um vereador da Câmara Municipal de Lisboa (José Sá Fernandes) e foi provado que essa tentativa existiu e por ela ele foi condenado (a uma pena que me pareceu irrisória, verdade seja, mas como se costumam dizer, "é a justiça que temos"). Claro que a minha posição mudou.
Soube-se agora que o mesmo senhor foi nomeado para o Conselho de Administração da Braval, uma empresa multimunicipal do distrito de Braga. Sinceramente, por esta eu não esperaria! Enquanto Sá Fernandes diz que isto é um insulto, eu diria que é uma provocação. Por mais méritos de administrador que Domingos Névoa tenha (parece que disso se vangloria) há uma coisa que para mim já não é boato: tentou corromper e por isso foi punido, ainda que brandamente.
Que mais nos estará reservado?
2009/03/31
Jornalistas…
Recordo-me de ler jornais desde criança. Mal soube ler, tenho quase a certeza que não deixava de dar uma “vista de olhos” a O Século, que era o jornal que o meu Pai comprava diariamente. No Seixal, onde então morava, ele era levado a casa pelo “homem dos jornais”, como me lembro se dizia na altura. Depois de o meu Pai ler, antes de sair para o escritório, O Século era só para mim.
Ao longo da minha vida, ler o jornal, logo pela manhã se possível, era imperioso. Foi um pouco a oração matinal de que falou Hegel. Continuo a fazê-lo, hoje, mas mais diversificadamente: as primeiras notícias vêm pela Internet, só mais tarde tenho um jornal a sério, em papel, que vou comprar à tabacaria que fica, agora, a cem metros da casa onde moro.
Continuo a fazê-lo, mas com muita desilusão, que aliás desde há muito venho sentindo em relação não só aos jornais mas a toda a comunicação social. Por muito respeito que queira ter pela profissão de jornalista – e de alguns jornalistas o merecerem por inteiro – não consigo evitar um profundo desencanto com a maneira como se elaboram títulos e escrevem notícias, para além, claro, da própria notícia. Eu bem conheço a desculpa estafada do homem que morde no cão, mas penso que se ultrapassaram todos os limites no que toca à isenção e objectividade do que se escreve (ou diz, no caso da rádio, da televisão).
O que se escreve – nos jornais, claro, porque fora deles (por exemplo em blogs) o problema se põe de modo diferente – deve ter como objectivo esclarecer a opinião pública e não deformá-la. Por isso a objectividade é, para mim, a pedra de toque essencial em qualquer peça jornalística. E ela não passa por apenas se usarem alguns adjectivos “brancos” (como o “alegado” qualquer coisa). Eu sei que a objectividade pode ser considerada uma espécie de mito, porque no fundo todos nós vemos o mundo de acordo com a cor dos nossos óculos; mas os jornalistas devem tentar usar lentes limpas, translúcidas… e nestes tempos que correm, há muita sujidade nos óculos de muitos jornalistas!
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