2005/08/05

A comunicação social que temos


Desde há muito tempo que, com raras excepções, tenho uma desconfiança enorme acerca da comunicação social. Informar com isenção não é fácil, sobretudo quando se escreve para uma sociedade que ainda está longe de ter compreendido o sentido pleno do que é a democracia. Informar tendo respeito pelos outros seria mais fácil mas não é: ainda agora comentei isso num post da Saltapocinhas acerca das entrevistas caricatas a quem é vítima dos fogos. Informar sem envenenar seria excelente. Mas não é. Um exemplo de uma revista que, apesar de tudo, leio aos fins-de-semana: a Sábado de hoje. Uma local sobre a aposentação do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues (ver aqui a sua biografia) é titulada “Uma boa reforma”.

Nascimento Rodrigues vai receber de aposentação cerca de 4,500.00 €, o que é considerado uma “reforma dourada”…

Fico perplexo. Nascimento Rodrigues trabalhou toda a vida na função pública. Foi técnico superior, deputado, Ministro, exerceu numerosos cargos importantes – incluindo o último, o de Provedor de Justiça. O que recebe como pensão de aposentação, tendo 65 anos, é pouco mais ou menos o que recebem muitos juízes, professores catedráticos, e funcionários de algumas carreiras da saúde. Reforma dourada porquê? Que chamem reforma dourada a quem receba um bónus por trabalhar meia dúzia de anos num serviço, certo! Mas a quem acaba uma carreira e ostenta um currículo como ele?

Devo prevenir que não tenho relações pessoais com Nascimento Rodrigues. Mas irritou-me o veneno.

2 comentários:

SaltaPocinhas disse...

Lês revistas rascas, é no que dá! ;-)
É puro veneno, para crispar ainda mais as pessoas que já se sentem prejudicadas por tantas medidas deste governo...Às tantas essa revista nem falou dos casos da CGD, esses sim verdadeiros atentados a quem trabalha!

fr disse...

Totalmente de acordo consigo. Nos últimos tempos tem havido muitos textos desse género na comunicação social portuguesa.
Comparada com a reforma dourada daquele administrador que esteve uns meses, ou poucos anos na CGD, por exemplo, essa reforma não é nada extraordinária.
Mas para um bom jornalista, nem seria preciso comparar para compreender que no caso de Nascimento Rodrigues se trata de uma reforma normal e nada exorbitante para um cargo dessa importância.