2005/08/02

A avaliação das Universidades


Em dias próximos, houve notícias de estudos centrados na avaliação das Universidades, e, naturalmente, de reacções a esses estudos. Digo naturalmente porque a minha experiência em avaliações diz-me que esse é um dos processos mais complicados de gerir, seja qual for o seu âmbito. Isto em especial se a partir das avaliações se tentarem estabelecer “rankings”.

Hoje, queria apenas deixar uma nota muito breve.

Não se pode dizer, generalizando, que as Universidades receiem ou não queiram ser avaliadas. Penso que, pelo contrário, tem existido a diversos níveis, interno e externo, abertura para a avaliação. Contudo, essa abertura não pode deixar de exigir, como contrapartida, clareza no estabelecimento de indicadores e da lisura de processos de análise. Não basta dizer que “os trabalhos que efectuam comparações de eficiência entre grandes instituições … deve(m) ser lido(s) com algum cuidado” (local de António Granado no Público de ontem, sob o título “Investigadores medem eficiência das Universidades portuguesas”. A verdade é que não há comparação possível de instituições organizacionalmente diferentes, em especial se se usarem apenas dados numéricos. A divulgação desses resultados pode ter (para não dizer claramente que tem) o efeito de para a maior parte dos leitores se tomar como decisiva a informação dada. O que não se afigura justo, quando qualquer avaliação deve ter como meta a objectividade, factor que deve minorar as injustiças…

2 comentários:

SaltaPocinhas disse...

Nem as universidades nem outra escola qualquer são fáceis de avaliar. Há demasiados factores a pesar, tanta coisa que não há equação que lhe valha!

fr disse...

A avaliação é uma tarefa impossível. E nós, professores, sabemos bem isso. Tenta-se fazer o melhor que se pode, com critérios bem definidos.
Quanto a esse estudo, concordo com a análise do Varela de Freitas, há demasiados factores a ter em conta, que escapam a uma análise estatística.
Há cursos com baixas percentagens de sucesso, e isso não quer dizer que os cursos sejam maus, que os seus professores sejam maus, que os alunos sejam maus, que as Faculdades/Institutos sejam maus.
Há que analisar os factores que permitem compreender esses resultados.
Claro que haverá sempre quem faça leituras simplistas e rápidas e tire conclusões erradas. Isto é o que mais vemos na nossa comunicação social, e se calhar não é só na nossa.