2005/11/15

Contagem decrescente


Mesmo quando sabemos que certas coisas vão acontecer, o nosso grau de preparação para elas nem sempre é bem calculado. De há um tempo a esta parte venho perspectivando um momento que nem sei bem como classificar, mas que tenho para mim vai ser difícil. E hoje dei o primeiro passo formal, fechado com uma assinatura “igual à do Bilhete de Identidade”, iniciando a contagem decrescente para, daqui a 156 dias, ser obrigado a cessar as minhas actividades como professor no activo. Resta-me a consolação de não poder ser privado da minha condição de professor “inactivo” (ou seja, jubilado), embora espere transformar esse tipo de inactividade em muita actividade – enquanto a saúde me permitir. Mas ao longo desta manhã a ideia da contagem decrescente tem-me tomado mais tempo do que eu desejava. A ponto de decidir colocar este post, como que a exorcizar pensamentos que neste momento não desejo.

Voltarei – quando estiver mais livre.

4 comentários:

barbara barreto disse...

Olá professor.
Com alguma curiosidade entrei no seu blog, com o sugestivo nome de memória flutuante. De facto as nossas ideias e reflexões podem voar num blog, mas também podem perdurar no tempo com os posts que vamos criando. Gostava que soubesse que fiquei com o ratinho e por isso também dei início a um blog que por estar muito imberbe ainda não divulgo. Teria muito prazer que lá mais para a frente o visitasse. Até estou a pensar desenvolver nele o meu portfólio. Sei que não estou propriamente a fazer um comentário ao seu desabafo, mas gostava que soubesse que sendo o professor com o perfil mais académico/clássico (na minha opinião) do mestrado e, o mais velho J, é também aquele que me parece mais familiarizado com as novas tecnologias fazendo um uso quotidiano e diário e retirando delas aquilo que mais lhe interessa para enriquecer o seu trabalho e o dos seus alunos.
A sua longa experiência como docente “pode e deve” a meu vêr, ficar ao serviço de todos aqueles que se interessam e reflectem sobre os meandros da educação.
Espero que apesar da condição imposta de professor “inactivo” que terá num futuro próximo, continue a iluminar as cabeças de muitos aqueles que, por um ou outro motivo, ao longo dos anos cruzaram com a sua vida. Eu que estou agora a conhecê-lo, acredito que ainda vou ouvir falar do professor durante muitos anos, pois tenho a certeza que “inactivo” é uma palavra que não consta da sua atitude e muito menos do seu pensamento. Neste momento também preciso de uma certa “iluminação”, pois estou há mais de uma hora para responder às perguntas que lançou no blog e ainda não consegui acabar. Tenho sempre o conforto da almofada que me poderá dar a conclusão amanhã.
Até breve, porque agora venho visitá-lo.
bárbara barreto

DespenteadaMental disse...

Varela de Freitas,
Sabe que me surpreendeu com esta sua apreensão, quanto ao futuro próximo?... É verdade! E sabe que mais?... Penso que tenho razão para tal. É que lendo os seus "posts", nada me leva a pensar que a sua "inactividade" venha a ser um problema, porque, por natureza, não é inactivo e ao longo do tempo exercitou bem essa faceta, pelo que, acredito eu, apenas irá descobrir outras ocupações por que distribuirá o tempo livre.
Como problema, ficará a saudade dos alunos, dos colegas, do ambiente de trabalho, do exercício como professor, mas isso poderá ser amenizado, fazendo umas visitas, se acabar por sobrar-lhe algum tempo, após a redistribuição, coisa de que duvido e muito.
Abraço e boas ideias para excelentes projectos futuros.

SaltaPocinhas disse...

inactividade? acho que essa palavra não fará nunca parte do teu vocabulário!!
Sabes, tenho pena das pessoas que se dedicam apenas e só ao trabalho e que não sabem fazer outra coisa. Mas de ti? Se precisares duma listinha do que podes e deves fazer, eu forneço-ta! :-)

Varela de Freitas disse...

Agradeço as palavras amigas - de colegas, sendo uma (ciucunstancialmente) aluna. Claro que não penso ficar inactivo - mas vai ser diferente. Julgo que esta situação só quem passe por ela a pode avaliar, e aí entra muita coisa de pessoal. Mas enquanto tiver saúde não vou passar a vida a dormir, ver televisão e ler jornais...