2005/07/18

Reflectindo


Mesmo as pessoas mais optimistas, e eu sou optimista (talvez demasiadamente) têm momentos em que devem reflectir. Por várias razões, nestes últimos dias uma série de factos, encadeados com primor, retiraram-me parte do optimismo e levaram-me a reflectir. O que se passa no meu pequeno mundo (que nem é tão pequeno como isso…) e o que se passa no “mundo” de todos nós (literalmente: mundo e país) não constitui motivo para sentir felicidade. Depois de ver como trabalham a inveja e a calúnia no meio académico, como friamente começamos a aceitar o terrorismo suicida, como assistimos sem pestanejar a declarações de polícias que declaram ir actuar como delinquentes, ou quando lemos as prosas sempre muito argutas mas demolidoras de Vasco Pulido Valente e António Barreto, agora discutindo sobre as elites (ah! Como pode Portugal ter elites?!), que optimismo resiste? Mas passada uma noite mais bem dormida, com menos calor, e depois de ter recebido uma pequena alegria vinda dos meus amigos norte-americanos, acordei menos acabrunhado. Percebi que nestes dias nem quase para a blogosfera olhara, nem para ela contribuíra. Não, não quero deixar de ser optimista: e decidi declará-lo aqui, neste espaço que é memória do passado mas pode ser, também, memória futura.

7 comentários:

fr disse...

Eu também sou optimista. Mas ser optimista dá muito trabalho. Implica trabalhar muito e contribuir para as coisas melhorarem. Acredito que há por aí muitos como eu, por isso continuo a ser optimista.
Apesar das resistências.

PJ disse...

Já agora uma questão relativamente à inveja e à calúnia no meio académico que mencionou. Nos Estados Unidos este comportamento medíocre a rasteiro, que constato em tantas instituições do ensino superior, também existe? Ou as perversões são de outro tipo? Esta questão lembra-me um episódio que se passou comigo há alguns anos. Escrevi uma carta a um académico português, que não conhecia pessoalmente, pedindo-lhe que me enviasse uma cópia de um artigo ao qual não conseguia ter acesso. Aproveitei a carta para lhe dar os meus parabéns por excelente artigo que ele tinha publicado numa prestigiada revista americana. Na resposta o elogio que eu tinha feito foi agradecido, mas logo a seguir o professor em causa acrescentava que o meu gesto era muito invulgar para o meio académico português. Dá que pensar, não?

MJMatos disse...

Subscrevo integralmente o comentário acima, caro CVF.

MJMatos disse...

Estava a falar do primeiro comentário, porque entretanto o PJ "intrometeu-se", 8-).

SaltaPocinhas disse...

E ser optimista é o melhor remédio...às vezes também fico deprimida com as notícias mas depois penso: apesar de tudo, nós estamos a evoluir, caramba! Só que há pouco mais de meio século não viviamos nesta aldeiazinha onde tudo se sabe... Eu lembro-me dos meus avós contarem que havia gente que matava o vizinho por causa da água que esteve mais uma hora para um que para outro. E também havia guerras e morriam inocentes. Quando estou optimista penso assim, quando não estou...
Mas, o meu estado normal é ser optimista!

Luís Aguiar-Conraria disse...

PJ
Infelizmente os casos de invejas e facadas nas costas vao acontecendo em todo o lado. Num outro nivl, e' certo, mas tambem vao acontecendo aqui nos EUA.

Varela de Freitas disse...

É bom saber que há mais optimistas para não me sentir tolo no meio de tanta inquietação.
A PJ
Concordo em absoluto com o Luís: nos EUA não são santos e também existem as coisas más que nos incomodam. Simplesmente (e penso que o Luís concorda comigo) há uma outra cultura de partilha e de responsabilidade, e até de respeito para com os outros, que não sendo comum a todos é a que transparece nas relações que tive ocasião de viver nas duas universidades onde estive mais tempo. Em Portugal sente-se mais o egoísmo e não se perdoa a qualidade (não podemos generalizar, claro, mas é o que se sente à nossa volta). E há muita subserviência.