2005/06/19

A comunicação social que temos


Noticiário das 11 e 58 de hoje, domingo, 19 de Junho de 2005 (11 e 58 é um preciosismo interessante) na TSF. Notícia: “Os Sindicatos dos Professores vão pôr o Ministério da Educação em tribunal”. Motivo, abonado por representantes da FENFROP e da FNE: “Há um despacho da Ministra que ‘ameaça’ os professores que não cumpram os serviços mínimos decretados com processos disciplinares”. Contacto telefónico com o Secretário de Estado da Educação. Valter Lemos esclarece que não há qualquer despacho mas apenas um parecer da assessoria jurídica e que se aplicará apenas a lei da greve no caso de quem falte aos serviços mínimos. O ouvinte que sou fica confuso: que parecer é esse? Por que se chama despacho a um parecer? O Secretário de Estado fala longamente à roda do mesmo assunto, mas este aspecto não é explorado por quem o interroga.

Noticiário das 12 e 30 da TSF (agora é à hora certa). Notícia: “Os Sindicatos dos Professores vão pôr o Ministério da Educação em tribunal”, etc., etc. O quê? Não serviu de nada a entrevista telefónica ao Secretário de Estado? Pouco adiante que depois a recuperem. Isto é mau jornalismo.

Nota, para melhor compreensão. Não sei se é legal ou não decretar os serviços mínimos neste caso e deixo aos tribunais a decisão. Mas como cidadão interessa-me saber a questão do parecer transformado em despacho, porque quero saber quem aldraba quem – se os Sindicatos, se o Ministério. Isto é: quero ter uma informação correcta. Lamento que a TSF, que é a rádio que normalmente me informa, não o faça.

Outra nota, para ainda melhor compreensão. Independentemente de saber se os serviços mínimos decretados são legais ou não, é para mim muito claro que o que é, não ilegal, mas eticamente reprovável e digno do maior desprezo é a convocação da greve para os dias de exame. Quem me conhece sabe que defendo sempre os professores contra os ataques injustos de que muitas vezes são alvo. Neste caso, os Sindicatos dos Professores não têm direito a defesa; espero que os professores lhes dêem a resposta.

1 comentário:

Miguel Sousa disse...

Caro professor, talvez a questão da ética não seja assim tão rectilínea e dê a possibilidade de cada um defender a sua (tenho duvidas, mas como não é assunto que tenha aprofundado, fico-me por aqui). De todo o seu texto, permita que manifeste o meu desacordo com o seu último ponto de esclarecimento. Acho que a greve deve ser efectuada aos exames, e mais, devia ser a todos os exames. O meu ponto de vista, apesar de parecer muito radical, não é, já que, acredito que o mal que estão fazendo aos professores, vai muito além dos cortes nos benefícios, porque atenta contra a dignidade de uma classe que é enxovalhada todos os dias, por todos, e mesmo assim vai para o seu trabalho e dá o seu melhor. A verdade professor, é que fazer greve a um dia normal de aulas, não resulta, e mais, é uma óptima poupança para o estado. Acho é que todos os que estão incomodados com esta greve já deviam ter defendido esta classe, em vez de terem caído “no deixa andar, eles que se amanhem”.- Pois não, Senhor Professor, desta vez vamos ser firmes, porque é importante para a escola e para os alunos terem uma classe docente digna.

PS (salve seja): não veja nesta minha opinião nada de agressivo. Há muito tempo que aprendi a admirar os seus escritos, obviamente que neste caso estamos com opiniões diferentes, mas de formas construtivas.