2009/03/30

Talvez valha a pena

Confesso que o meu optimismo tem andado abalado e isso terá contribuído para o meu afastamento de um blog que me entusiasmou, de início, e me proporcionou momentos agradáveis com a meia dúzia de "correspondentes" que me visitavam. A mudança de vida levou-me a perguntar se valeria a pena manter o blog, e de há muitos meses até agora nada restaurou a minha primitiva vontade de escrever e dialogar.

Ontem, porém, aconteceu um facto que me fez pensar.

Há uns quatro anos (em rigor, em 2005-2006) mantive, com os meus alunos de mestrado na Universidade do Minho, um blog de apoio às aulas de Currículo e Cultura (pode ver-se aqui). Foi uma experiência muito interessante, com um bom nível de participação não só em quantidade como em qualidade. Nunca desactivei o blog, e de então para cá houve ex-alunos que ocasionalmente (muito ocasionalmente) publicaram posts: pelo Natal, por exemplo. Eu nunca mais lá voltei. Até ontem.

A meio da tarde, caiu-me na caixa de correio um comentário a um post desse blog publicado em Novembro de 2005. Há quase quatro anos, pois! Era de uma Mãe, que conservou o anonimato, que nos felicitava por termos tratado, nesse post, do problema das crianças indigo (um tema que um aluno levara para a aula e suscitara muito interesse), relacionando-o com problemas que o filho estava a ter na escola.

Fiquei estupefacto por haver ainda leitores de um blog tão específico e fui "espreitar". Através do "site meter" verifiquei que o blog continua, diariamente, a ter leitores que estão espalhados pelo mundo (os números do Brasil são verdadeiramente impressionantes). No total, registaram-se mais de 37,000 visitas!

Fiz o que devia - avisei os meus ex-alunos por e-mail e coloquei um post, respondi à Mãe - e fiquei a pensar se afinal de contas, não estava a ser pouco sério na minha atitude de fuga. Talvez valha a pena, apesar de tudo, não me calar. Talvez valha a pena recuperar o optimismo. Talvez valha a pena... recuperar a minha memória flutuante... Para já, reinstalei o "site meter", que não sei porque razão tinha desaparecido. Talvez valha a pena...

2009/03/08

Entretanto... (1) O Magalhães

Nos muitos meses da minha ausência neste blog, coisas aconteceram que (talvez) mereçam uma referência. Comecemos pelo Magalhães (podia ser outro o nome, claro).
O Magalhães é, estou certo, uma excelente concretização para todos os professores e educadores que de há muito perceberam que a escola do futuro ou será suportada pela tecnologia ou não será escola. Se está ou não a ser usado com propriedade, se tem ou não problemas (o mais recente, o tal software traduzido por quem não domina a língua portuguesa), tudo isso é mais ou menos irrelevante face àquilo que o Magalhães representa nas escolas portuguesas.
O resto, toda a animosidade de vários sectores e com várias matizes, é politiquice. Incluindo esta última, a de se querer que o Primeiro Ministro assuma a responsabilidade dos erros de português do jogo incluindo no Magalhães. Claro que o último responsável é sempre responsável pelas asneiras de outros menos responsáveis (na cadeia hierárquica, santo Deus, existe sempre tanta irresponsabilidade...). E depois?

2009/03/05

Gostei de ler

O Público, que fez anos, convidou António Lobo Antunes para escrever o editorial do seu número de hoje. Notável naco de prosa, que deveria ser lida e meditada (espero que a equipa do Público o faça). Repare-se neste excerto: “É pena que os jornais, como a literatura, sejam uma estrebaria de porta aberta: devia ser reservada aos profissionais sérios . . . que decerto existem. Conheço alguns . . . O que me assusta é o facto de qualquer pessoa estar à mercê de criaturas medíocres, sem possibilidade de rectificar a pulhice”.

2009/03/03

Uma boa decisão

Tem sido muitas vezes assim: têm-se tomado boas decisões no campo da educação. A sua concretização é que tem falhado, e muito.
Anunciou o Primeiro Ministro a obrigatoriedade da frequência da educação pré-escolar (e não ensino pré-escolar, como tem dito e escrito...) para as crianças do grupo de idade de 5 anos. Muito bem. Está provado que a educação pré-escolar contribui poderosamente para maior êxito na escolaridade básica (e, claro, na posterior). Seria menos enfático se a decisão abrangesse grupos de idade inferiores, porque aos 3 ou 4 anos a família pode, legitimamente, renunciar a esse benefício.
Vamos ver como esta orientação se vai concretizar.

2009/03/01

Porquê?

Porque me cansei da minha vida de "reformado" - talvez não fosse bem cansaço, mas sim um grande aborrecimento por ter deixado de ter um enquadramento na minha vida de trabalho, sem dúvida. Mas sobretudo porque o dia a dia me ia confrontando com um país que, para um optimista como quero ser (mas não fui, nessa altura), me desolava. Como professor que insisto em me considerar, mesmo jubilado, penalizavam-me simultaneamente quer os erros cometidos pela equipa ministerial quer as reacções dos professores, muitas delas indignas de uma classe que tem como objectivo instruir e educar. Como cidadão, assisti (e assisto) à perversão da democracia, a coberto da qual se procuram destruir pessoas - ah, a inveja e a calúnia sempre ligadas! Estávamos à beira do abismo (e voltámos a estar) mas parece que se pretende mesmo que nele caiamos.
Por tudo isso me calei. Talvez até por vergonha de falar. Talvez por considerar inútil manter este blog.
Regresso. Porque de repente percebi o que era a morte a a vida. E que afinal vale a pena não estar calado.