2006/03/09

Eduquês, Economês… e outros termos acabados em “ês”


Creio que num post de há muito tempo lamentei que o Engº Marçal Grilo, que até foi um bom Ministro da Educação, tenha criado e difundido o termo “eduquês”, que acaba de ser promovido a título de livro… Não que me incomode a brincadeira; o que me incomoda é o que normalmente se esconde por detrás da brincadeira.

Ora acontece que ontem ouvi numa crónica radiofónica uma referência ao “economês”, e comecei a pensar se estaríamos a entrar numa época de desvalorização da linguagem técnica. Ou seja, será que vamos começar a ter um “mediquês” para a medicina, um “engenheirês” para a engenharia, ou um “arquitectês” para a arquitectura? Ou um “matematiquês” para a matemática (esta é para satisfazer o Nuno Crato…)?

4 comentários:

PJ disse...

O problema não se encontra na linguagem técnica, nomeadamente naquela que se usa na educação. Quando Marçal Grilo usou essa expressão foi para criticar uma linguagem obscura, pesada e impenetrável que em muitas ocasiões encontramos nas abordagens sobre educação realizadas por alguns supostos especialistas. O que é lamentável é que se confunda esse tipo de discurso que, de resto, não é exclusivo da área da Educação, para fazer a apologia de uma escola supostamente mais rigorosa e exigente. É uma atitude que revela uma enorme nostalgia pela escola tradicional e uma ignorância por vezes brutal do pensamento e da investigação na área da educação. Embora não tenha ainda lido o livro do Nuno Crato,e tenha por ele admiração pelo trabalho de divulgação científica que desenvolve há muitos anos, fico quase sempre arrepiado quando o ouço falar de educação.

Delfim Peixoto disse...

Olá Professor! Desculpe a ironia mas só faltava dizer que o Português seria a linguagem do adepto portista que falaria em "portuquês", ( sabendo eu da sua costela......-para ninguem ficar a saber).
Definitivamente, e falando a sério, penso ser necessário haver uma defesa muito forte da nossa Língua, podendo admitir que por vezes poderá aparecer uma palavra ou outra que em determinado contexto não ficará mal, mas, fora isso, pode parecer e ser um autêntico atentado à nossa identidade cultural.
Um abraço!

Sally disse...
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Sally disse...
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