2005/05/09

Fiquei sem computador…


Ontem (sexta-feira, dia 6), o meu computador apagou-se como um passarinho. Tinha chegado a casa, ainda fui ver o correio que chegara desde que deixara o meu gabinete na Universidade, e comecei a procurar o texto em que iria trabalhar. E de repente, a imagem desapareceu. Na primeira fracção de segundo pensei que faltara a energia, mas na segunda concluí que não podia ser; então para que é que eu tenho o APC, que me garante vinte minutos de energia se faltar a de origem? Conferi, e nada. Não ligava por mais esforços que fizesse. O pior não é o computador em si, é a ligação à Internet, é ficar sem correio, sem jornais, sem blogs… Lá fui hoje pô-lo na casa de saúde (Chip 7) esperando que tenha sido apenas um desfalecimento e não morte total.
Entretanto, só na segunda-feira poderei ter acesso à Internet e publicar este post. Atrasado dois dias, o que me aborrece… Isto porque

há quarenta anos, nos dias 7 e 8 de Maio de 1965

fiz as chamadas “provas de cultura” do meu estágio para professor do ensino liceal.
No dia 7 a prova foi de História. Tinha duas questões para desenvolvimento, a nível exigido para licenciados.

a) O monaquismo.
b) Influências dos Descobrimentos na civilização europeia e na cultura portuguesa.

No dia 8 a prova foi de Filosofia. Também dois temas de desenvolvimento:

a) A natureza do hábito.
b) O idealismo como resposta possível ao problema da essência do conhecimento.

A quarenta anos de distância, que posso dizer? Estas provas ditas “de cultura” eram as que mais me preocupavam. Como se pode ver, a amplitude das áreas de onde derivariam as questões era enorme. De certo modo, este exame não tinha preparação possível (por isso a ideia de ser uma prova de “cultura” assentava-lhe bem). Ou se sabia dissertar sobre o tema ou não se sabia. Recordo-me que quando pensava “vou começar a pensar no exame…” desistia logo a seguir. E argumentava para comigo que seria difícil surgir um tema sobre o qual eu não soubesse nada…
No meu diário de estágio dediquei ao exame 7 linhas… “Incomparavelmente melhor a prova de História: a de Filosofia, mais rebuscada, menos “livre” na sua expressão. Não saí, de qualquer delas, com a impressão de ter feito coisa em grande. Se as classificasse pelas provas da Faculdade, diria que a de História poderia chegar ao 14, e a de Filosofia oscilaria entre o 12 e o 13. Mas: passou-se, e era o que importava!”

Há quarenta anos as bitolas para as classificações eram diferentes das de hoje. A minha auto-avaliação pecou por defeito: os meus metodólogos atribuíram-me 15 valores (não havia duas classificações separadas mas apenas uma, certamente a média de ambas).

Ora estas provas eram prestadas depois de, durante dois anos lectivos (que era o tempo que durava o estágio) os professores metodólogos terem tido connosco um contacto quase diário, de terem visto algumas dezenas de aulas, de nos terem questionado, discutido temas das disciplinas, em suma, de poderem ter uma ideia clara do que cada um de nós “valia” em temos de conhecimento dessas mesmas disciplinas. Seriam pois necessárias estas provas? Sinceramente: não eram. Talvez num aspecto fossem úteis: podiam preparar a nota final, porque não seria indiferente ter 15 ou 11; e embora essa diferença fosse detectada ao longo do estágio era mais difícil estabelecê-la em dígitos sem uma “prova” mais objectiva.

Em relação ao exame de Estado, a minha opinião é diferente, mas dele falarei na altura própria, nos dias 27 e 28 deste mês.

1 comentário:

SaltaPocinhas disse...

As melhoras do teu computador...Agora vou almoçar antes que me atrase! Depois leio o resto!