2005/02/20

Educação e Computadores


O fim-de-semana foi rico em notícias no âmbito da educação que apetece comentar. Quando ontem li esta notícia no Público, comecei por ficar perplexo; depois, penso que percebi que foi o jornalista que no desejo de ter um título apelativo foi sensacionalista. “Computador substituirá cadernos e livros em 150 escolas até final do ano” – era o chamariz. Claro que não vai ser nada disto, nem deveria nunca ser nada disto. O que vai acontecer, se o projecto “Escolas Navegadoras” vingar, é que vão ser distribuídos pelas escolas computadores portáteis (diz-se na notícia “a todos os alunos”) e criadas nas escolas condições optimizadas para o uso das tecnologias digitais (quadro interactivo, acesso à Internet “wireless”, etc.). O projecto tem agora um início experimental em escolas de Avelar e de Arouca. Regozijo-me pelo projecto e não posso deixar de ligar estas palavras às que deixei no meu post de ontem: porque, ao que parece, estas escolas se candidataram, mostrando assim capacidade de liderança indispensável ao êxito. Anoto ainda que, pelo menos no fim da sua permanência no Governo, a Ministra da Educação teve palavras sensatas, ao dizer que as coisas interessantes que viu em escolas foram sempre fruto do esforço das próprias escolas (não vou ser cínico e dizer que sempre aprendeu alguma coisa na sua tarefa de governante, prefiro cumprimentá-la por, pelo menos na hora da despedida, ter dado aos professores um reforço positivo e de algum modo ter demonstrado que compreendeu as fragilidades do seu Ministério).
Mas volto ao início. Este projecto, e todos os outros que têm existido e vão existir no futuro com o objectivo de dotar as escolas com as tecnologias evoluídas, vai contribuir para melhorar as aprendizagens, mas não vai eliminar livros, cadernos ou professores. As tecnologias vão mudar a escola – digo-o há uns bons vinte e tal anos – mas não a vão eliminar. É excelente visitar um Museu virtualmente – mas essa visita não substitui a real; pode bastar numa emergência, mas não terá os mesmos efeitos. O mesmo se diga de simulação de experiências no laboratório.
Bom: tudo isto por causa do título da notícia. Ter a tecnologia nas escolas é muito bom, mas não pensemos que devemos desinvestir em bibliotecas ou em ter suportes de papel para continuar a tomar notas…

2 comentários:

Miguel Pinto disse...

Aguardarei pela sua incursão ao tema da autonomia. O outroolhar reflectirá o estado da discussão.

Paulo Lopes disse...

Também vi essa noticia. Fiquei a pensar. Estes parangonas sensacionalistas... ;-[