2007/01/21

Bom senso…


Não penso, como Descartes, que o bom senso seja a coisa que no mundo é mais bem distribuída; e ao longo da vida tenho presenciado muitas situações em que o bom senso esteve ausente. Mas há casos tão flagrantes que ainda me fazem abrir a boca de espanto. O “inquérito” sobre violência doméstica que foi levado a efeito por questionário a alunos das nossas escolas, tal como foi noticiado, por exemplo, pelo Expresso de ontem (acessível apenas por assinatura), é um verdadeiro espanto. E mais espantosa ainda a reacção da coordenadora do projecto, ao que parece técnica do Instituto da Droga e Toxicodependência, Fernanda Feijão, quando acha que se “está a fazer uma tempestade num copo de água”.

A aplicação de questionários em várias situações de investigação é justificável, mas a sua elaboração tem necessariamente de ser muito cuidada e ter em atenção todos os princípios de ética e de deontologia face ao processo que é objecto de estudo. Por outro lado, a falibilidade das respostas a questionários deve levar os seus organizadores a não cederem à tentação de inserir questões de difícil ou inverosímil apreciação por parte dos respondentes. Quem pode esperar dados fiáveis de uma questão como a que indaga se o pai (ou substituto, veja-se a delicadeza!) “obriga a mãe a fazer vida sexual com ele contra a vontade dela”?

Onde estavam os responsáveis do Ministério da Educação quando deram luz verde à aplicação do questionário? Onde andou o bom senso?

1 comentário:

SaltaPocinhas disse...

Onde estavam? Onde têm estado com frequência: num país que não existe!
Não estás a ver a história das TLEBS?