2005/06/07

Greves


Foi em 1972 que tive contacto directo com uma grave a sério (porque a brincar, mesmo nos tempos do Estado Novo havia de vez em quando umas pequenas alterações que se sabiam ser greves mas não eram greves, como por exemplo os cobradores da Carris não cobrarem bilhetes a quem se deslocava de eléctrico ou autocarro ou os funcionários da TAP demorarem cinco minutos por cada check-in...).

Mas em Dezembro de 1972 fui, numa missão do Ministério da Educação em cooperação com os Serviços Culturais da Embaixada de França, a Paris, ver centros de recursos pedagógicos, e em Paris havia uma greve “do lixo” (isto é, não se fazia recolha, e o lixo amontoava-se ao longo das ruas). Felizmente era Inverno! Não foi nada simpático viver alguns dias em convivência com caixotes e sacos e por vezes, apesar do frio, sempre havia alguns odores algo diferentes dos que nos eram proporcionados nas Galerias Lafayette ou no Printemps…

Não sabia que estava apenas a poucos anos de ter greves a sério em Portugal, mas curiosamente, é ainda uma greve “do lixo” fora do meu país aquela que mais recordo – em Londres, em 1978, num Inverno cheio de contestações laborais que levou à queda do governo trabalhista e à vitória da Senhora Tatcher.

Compreendo as greves e o valor que têm numa sociedade democrática – mas não simpatizo com elas. Por feitio, prefiro que os conflitos sejam resolvidos por meios pacíficos, e que se forem necessárias cedências, que existam, de parte a parte, antes de recorrer a actos que são gravosos para muita gente.

Desde que começaram a ser anunciadas as medidas do actual governo que antecipei a ideia de que iríamos provavelmente ter anúncios de greves – a arma sempre aparentemente fácil (mas que é bem difícil) de empunhar. Ora aí parece estar a de professores, que não querem progressões na carreira congeladas nem reformas mais tardias. Se o Ministério não ceder às reivindicações…

A greve é um direito, claro. Não ceder a reivindicações é outro direito, também. Será possível um entendimento? Qualquer coisa como fixar limites – até quando o congelamento das progressões? Um ano, dois anos? Ou: idade da reforma tem de aumentar, mas o tipo de trabalho do docente não poderá ser outro?

Difícil, governar: mas alguém tem de o fazer e tem de o fazer com determinação.

3 comentários:

Adryka disse...

Ola visinho então também de Braga.Vou passar a vir cá muitas vezes. Um abraço

PJ disse...

Gostava de ouvir a sua opinião relativamente à incapacidade dos professores com mais de 60 anos darem aulas. Tendo em conta que os professores do 2º e 3º ciclos e do ensino secundário têm reduções da carga lectiva que estabilizam nas 14 horas semanais, tenho dificuldade, nestas circunstâncias, em considerar a profissão docente como de desgaste rápido. Mas uma vez que alguns sindicalistas invocam a caução da ciência para defender tais princípios, nada melhor do que questionar os das ciências da educação para um esclarecimento mais completo.

SaltaPocinhas disse...

Já fiz algumas greves, embora também não goste de as fazer: detesto faltar á escola e o desconto no ordenado tb não é nada agradável...Não confio nada nos sindicalistas, principalmente nos sindicatos da educação (tenho um post escrito há meses sobre o resultado das suas reivindicações, mas ainda não tive coragem de o publicar...)
Tal como dizes primeiro há que ver que leis são essas, como é com as reformas e por quanto tempo vamos ficar "congelados". Eu alinho em todos os sacrifícios desde que veja neles justeza e igualdade de tratamento...