The past is malleable and flexible, changing as our recollection interprets and re-explains what has happened.... Peter Berger
2015/10/13
Primeiras palavras
A primeira coisa que me ocorre ao iniciar a minha participação n’A Destreza das Dúvidas é propor que se acrescente a palavra Educação ao elenco daquelas que, no cabeçalho, indicam as áreas de interesse neste blogue (sugestão: entre “Pontes” e “Direito”, preferencialmente a “Roupa Interior Feminina” e “Literatura”…). A educação vai ser, creio, o tema mais frequente nas minhas participações, hipótese que terá levado o Luís a convidar-me para integrar esta equipa de múltiplos interesses. Mas não será o único, claro. Seguidamente, quero agradecer esse convite. Há mais de dez anos que o Luís e eu nos conhecemos e até colaborei, como comentador, no seu primitivo blogue A Destreza das Dúvidas. Colegas na mesma Universidade partilhámos conversas e almoços no Restaurante panorâmico de Gualtar, que durante dois anos foi o meu refúgio do meio do dia. Terei ainda uma palavra de agradecimento para os meus companheiros (e companheiras) pela cooptação, esperando não os desiludir.
Acontece que inicio a minha colaboração num momento particularmente interessante da nossa vida colectiva. Estou muito curioso em saber como vai evoluir. Seja qual for o resultado, nada vai ficar como dantes: e isso é bom. A minha expectativa é que haja alguma clarificação nos partidos existentes e que isso implique coragem em assumir que o mundo mudou muito e já não estamos nos anos 70 e 80 do século passado. Vamos aguardar.
Última nota para hoje: não escrevo segundo o chamado acordo ortográfico que, dizem, está em vigor.
UM NOVO COMEÇO
Há quase onze anos iniciei este blogue, que praticamente esteve activo até meados de 2006. Depois disso os meus posts tornaram-se muito irregulares. Nunca tive coragem de encerrar o blogue, e sempre me espantou o facto de, mesmo sem entradas novas, haver leitores que por aqui passavam.
As razões da minha ausência são várias e mesmo eu não as saberei definir todas com clareza. A minha situação de "reformado”, uma palavra que esconde, para pessoas, uma terrível realidade que é o sentimento de se ser descartável, como um lenço de papel que se usa e deita fora, foi, decerto, uma das razões. A crise – e o que ela representou – terá sido outra. Perceber a destruição do que fora possível fazer de bom em educação doeu muito.
Várias vezes encarei recomeçar, e sempre falhei. Até hoje.
Recebi um convite que não soube recusar e que interpretei como uma espécie de suplemento de alento para encarar o tempo que me resta sem a sensação de inutilidade. A partir de hoje, passarei a fazer parte da equipa que constrói diariamente o blogue A Destreza das Dúvidas, e, por acordo com ela, os meus posts passarão a ser também publicados n’A Memória Flutuante. Como sempre, aqui todos os comentários serão publicados sem moderação prévia.
2015/10/05
A República
Bem sei que ontem foi dia de eleições e por isso os jornais de hoje (Público, Diário de Notícias, os que "folheei" via Internet) dedicam páginas e páginas ao evento. Já esperava. Mas lamento que pouca ou nenhuma atenção tenham prestado ao aniversário do movimento que originou a República portuguesa. Desde que tenho lembranças sólidas o 5 de Outubro foi sempre um dia especial. O termo do feriado, uma das maldades do governo que cessa agora funções (sim, porque o próximo vai ser muito diferente), representou já uma ameaça à memória colectiva dos portugueses. Mas o insólito acontece quando o actual Presidente da República decide não comparecer à sessão solene que a Câmara Municipal de Lisboa promove para lembrar a data. Essa decisão desqualifica-o como chefe do Estado. Bem: desqualificado já ele está há muito tempo...
2015/09/25
Descodificando
A mensagem anterior terá sido pouco explícita? Talvez.
Descodificando: ao votar nas próximas eleições legislativas não posso deixar de lembrar as anteriores, o que as provocou, e o que se seguiu. Mas não devo votar como se estivesse nesse passado: o presente é bem diferente, e as diferenças, para o bem e para o mal, constituem o adquirido para que possa julgar estes quatro anos. O meu voto (o de todos) visa o futuro, não o passado e nem sequer o presente. A aposta no futuro tem sempre alguns riscos; em qualquer caso, vale sempre a pena corrê-los se as nossas convicções em relação às propostas dos partidos são fortes, cortando com o constante recurso ao passado para envenenar o presente.
2015/09/22
Apenas uma breve reflexão...
Neste tempo de eleições é sempre importante ter memória. Memória completa, não flutuante como a que me fez criar este blog. Memória ancorada num passado que se procure explicar mas que não cristalize aí: afinal, não se vota pelo passado mas pelo futuro. Um pouco difícil de entender? Talvez.
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