2006/06/20

Fraude, copianço…


O estudo que foi divulgado no domingo pelo Diário de Notícias não é muito surpreendente, se bem que “copiar nos exames” implique que quem elabora os exames “colabore”, de algum modo, com quem use o processo para ter uma classificação aceitável. De facto, um exame pode ser sempre elaborado de tal forma que minimize o “copianço”…

Mas esta notícia fez-me recuar uns quarenta e tal anos, quando o país soube com espanto de uma fraude cometida nos exames (julgo que do então 7º ano) no Liceu de Lamego, uma fraude que deu brado pelo seu ineditismo e, ao mesmo tempo, por que não dizê-lo, pela engenho revelado.

Tanto quanto a minha memória guarda, apareceu em Lamego um jovem, acompanhado por um irmão, para fazer alguns exames. Instalaram-se ambos numa Pensão. O rapaz trazia um enorme penso a cobrir um dos ouvidos, esclarecendo a toda a gente, sobretudo os colegas, que tivera um acidente, o que, evidentemente, até lhe terá valido uma dose grande de simpatia…

Ora bem, na altura de um dos exames, creio que de Matemática, um rádio-amador local detectou uma conversa estranha que momentos depois depreendeu ser a propósito da resolução de problemas de um exame. Tirando-se dos seus cuidados, foi ao Liceu, contou o que ouvira e não foi difícil ao Reitor (creio) perceber, ainda que espantado, o que se passava.

O jovem não tivera acidente algum, simplesmente o ouvido entrapado ocultava um emissor-receptor rádio; em casa, a algumas centenas de metros, o irmão do jovem tinha sido posto ao corrente do enunciado do exercício e, mais conhecedor da matéria, resolvia os exercícios e comunicava as soluções ao examinando.

Claro que descoberto o estratagema foi tudo por água abaixo, não me recordando agora se para além da perda do ano houve sanções mais graves para o prevaricador.

De qualquer modo, e tendo em atenção que tudo isto se passou há mais de quarenta anos, não se pode dizer que estávamos tecnologicamente muito atrasados…

Tenho mais um episódio de exames e de fraudes para contar, mas fica para depois…

O nosso feitio …


Quanto mais leio Eça maior respeito tenho pela sua argúcia na leitura do país e na maneira como nos transmitiu, com uma ironia fina, o seu pensamento. Recordo com frequência trechos que quase sei de cor quando os posso aplicar ao que vai acontecendo agora neste país. E ontem, dei por mim a recordar um trecho de Os Maias, uma troca de palavras entre Carlos e Cruges quando se dirigiam a Sintra. É este:

- Ninguém faz nada, disse Carlos espreguiçando-se. Tu, por exemplo, que fazes?
Cruges, depois de um silêncio, rosnou encolhendo os ombros:
- Se eu fizesse uma boa ópera, quem é que ma representava?
- E se o Ega fizesse um belo livro, quem é que lho lia?
O maestro terminou por dizer:
- Isto é um país impossível...


Esta ideia de que vivemos num país impossível é muito actual. Cultivamos com esmero a ideia de que caminhamos (e alegremente!) para o abismo, e qualquer sinal de mudança é desvalorizado, qualquer pequeno êxito é escamoteado. Temos sido inconscientes, sim, mas parece que se começou a perceber que se tinha chegado ao ponto de não evitar mais as decisões difíceis. Não seria tempo também de procurar ser mais optimista do que pessimista? Não seria tempo de deixarmos de pensar que este país é impossível?

2006/06/16

Para pensar


Não vi imagens da manifestação dos professores na televisão. Mas na minha visita quotidiana aos Marretas deparei com esta informação, por uma vez mais séria que brincadeira (título “Belos Exemplos”).
E procurando não cair em demagogia: são estes os professores que se incomodam com a grosseria dos alunos? Que pena mereceriam no elenco daquelas que gostariam que a escola aplicasse aos alunos "execráveis"?

2006/06/12

Helsínquia

A Universidade de Helsínquia
Passei quase doze horas em Helsínquia, num dia invulgarmente favorável, com muito sol, e com um “Helsinky card” na mão que me permitia viajar em qualquer meio de transporte, entrar gratuitamente em Museus, e até ter descontos em diversos locais. Saí de Riga às 7e 25 e uma hora depois aterrava em Helsínquia.

As primeiras impressões, mantive-as ao longo do dia. A cidade, e por extensão certamente toda a Finlândia, é muito arrumadinha, está tudo muito bem pensado, com um aproveitamento excelente da rede de transportes, o que é vital numa cidade.

Não me impressionou excessivamente… É uma cidade interessante, mas no conjunto não deslumbra. Um ponto muito positivo: em Helsínquia circulam ainda os “tramways”, ou seja, carros eléctricos não poluentes e relativamente rápidos. A rede de autocarros tem uma malha conveniente, e há apenas uma linha de metropolitano que liga a cidade a localidades nos arredores. O uso do euro facilita – mas é melhor não fazer comparações de preços… Uma curiosidade: disseram-me que na Finlândia não se cunharam moedas de 1 e 2 cêntimos, pelo que o que for a mais ou menos de 5 cêntimos é de imediato arredondado. Países ricos…

2006/06/09

Solução radical


Segundo a Visão (secção “Em Foco”, p. 32 da edição de ontem, 8 de Junho) Maria Filomena Mónica, “socióloga, referindo-se às novas medidas que o Governo pretende aplicar aos professores”, terá dito: “A raiz de todo o mal é o Ministério [da Educação], que tem não sei quantos grupos de trabalho, que deviam ser pura e simplesmente extintos com napalm”.

Vamos apenas sorrir, lamentar, indignar, ou responder ao mesmo nível: “E não se pode exterminá-la?”