Tenho ouvido mais rádio e visto mais televisão a horas em que o não fazia – e por isso tenho apanhado os célebres “fóruns” da TSF de manhã e as emissões interactivas da SIC-Notícias e da RTP-N da tarde. É excelente que toda a gente se possa pronunciar – mas é confrangedor por vezes ouvir o que se ouve. Levo em consideração o perfil de quem depõe, e benevolentemente aceito em nome da liberdade de expressão as tolices que se dizem.
É mais complicado aceitar que pessoas com responsabilidades imitem os que as não têm e digam o que, por vezes, dizem. A propósito das medidas sobre as actividades de enriquecimento curricular anunciadas ontem pelo Ministério, tenho ouvido (e lido) afirmações que só podem ser proferidas por haver muita confusão acerca do que está em causa. Vejam só esta pérola da Fenfrop, divulgada hoje pelo Público. Transcrevo, por não estar online: “As expressões artísticas e físico-motoras e o estudo acompanhado têm feito parte das 25 horas curriculares semanais do 1º ciclo, a par de disciplinas como a Matemática. No próximo ano passam a ser extracurriculares (texto da jornalista) … o que representa (segundo a Fenfrop) «uma concepção conservadora do currículo muito próxima da que foi desenvolvida pelo salazarismo»”. Eu pensava que dirigentes sindicais tivessem um mínimo de compreensão sobre currículo: mas não têm. As actividades de enriquecimento curricular, previstas no Decreto-lei 6/2001, são actividades curriculares, planeadas pela Escola e desenvolvidas para criar oportunidades de aprendizagem, em meu entender permitindo ter em conta uma saudável individualização. Por outro lado, como o Decreto-lei não foi revogado, não se percebe que se diga que as expressões e o estudo acompanhado “saiam do currículo”… Com certeza permanecem. Logicamente.
Podem existir constrangimentos vários que sejam obstáculos a um bom desenvolvimento deste plano – o que não se pode dizer é que ele seja um retrocesso para uma concepção conservadora de currículo.
Anote-se que neste caso a própria jornalista errou, não foi apenas a fonte sindical.




