2006/06/05

Uma palavra mais sobre a proposta de avaliação dos professores


Tive alguma dificuldade em compreender plenamente as razões do alarido que por aí vai sobre a educação: bastou estar fora, não ler os jornais e não ver televisão, para perder linhas importantes. Creio que neste momento já compreendi, sobretudo depois de ler a proposta de alteração ao regime legal da carreira do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, na qual se inserem as disposições para a avaliação dos professores. Também vi a entrevista da Ministra Maria de Lurdes ao “Diga lá, Excelência” e li algumas referências às declarações na Maia.
Reportando-me a um post anterior, em que eu dizia que queria ser cauteloso quanto à interpretação do que se propunha, tinha razão. Não merecia a pena grande poder de fogo contra a Ministra por causa da participação dos pais na avaliação dos professores, o que eu escrevi servia: demagogia pura.

O pior é que a demagogia compensa e há uma maioria que está de acordo com a ideia. Afinal, há mais pais do que professores…

Ora estes, como qualquer outro profissional, devem ser objecto de avaliação. E aceito, sem nenhum constrangimento, que os parâmetros de avaliação sejam mais latos do que aqueles que possam ser obtidos em contexto mais fechado, ou seja, em círculo de pares (como aliás acontece na Universidade quando estão em causa decisões de carreira). Penso, por exemplo, que os alunos (a partir de uma certa idade) possam ser integrados em esquemas de avaliação dos seus professores. Alargar o círculo para a esfera do social – incluindo os pais – é totalmente desprovido de sentido. Não se vê como possam os pais “apreciar… a actividade lectiva dos docentes” (alínea h) do art. 46º da proposta) a não ser pelo que lhes é contado pelos filhos e muito indirectamente pelos produtos da disciplina que eventualmente possam ser exibidos por eles. Quando a senhora Ministra diz que o peso desta avaliação é muito pequeno (não teve a coragem de dizer que é insignificante) ocorre perguntar para que é que ele vai existir.

Que outra categoria profissional está assim exposta ao arbítrio de juízes em segunda mão?

Mas já que li a proposta, deixem-me fizer que em era de “simplex” o esquema da avaliação dos professores é bem “complicadex”. Se for concretizado como está, vai instalar-se uma enorme burocracia nas escolas! E duvido que funcione.

Lamento muito o rumo que as coisas estão a tomar no Ministério da Educação. Continuo a pensar que foram tomadas decisões importantes, mas é preciso ter uma visão muito mais realista da escola do que aquela que a Ministra tem. Ela está certa quando diz que a escola é uma organização e tem de funcionar como tal; mas a organização só funciona com pessoas, e quer goste quer não, essas pessoas têm de ter motivação. E na verdade, a senhora Ministra é muito pouco motivadora…

2006/06/02

Riga – exemplos de arte nova

Deixo alguns exemplos (muito poucos, porque há dezenas na cidade) de edifícios construídos seguindo o estilo arte nova. A maior parte estão nas ruas Elizabetes e Alberta, mas há muitos espalhados pela chamada cidade velha.









2006/06/01

O perfume das tílias


Que maravilha! As tílias da Avenida Central já perfumam o ar que respiramos, e ontem senti-o pela primeira vez este ano. Para quem está condenado ao horroroso cheiro a frituras do Mac Donald’s, a floração das tílias e o seu perfume é uma bênção!

2006/05/31

Pais a avaliar professores?


Confesso que estou cheio de curiosidade para saber quais são as propostas que o Ministério da Educação vai concretizar para dar corpo ao que foi anunciado; que pais podem vir a avaliar professores. A notícia, de que tive conhecimento no regresso da minha viagem, na qual, sem acesso à Internet, fui privado de saber o que se passava no país, deixou-me perplexo, e apenas me ocorre uma palavra para a qualificar: demagogia. Demagogia, e perigosa: porque pode revelar um grande desconhecimento sobre o que seja avaliação de um profissional na casa que gere a educação no país.

Eu defendo que a escola, os professores, têm de ter um diálogo mais intenso com os pais, directamente ou através das associações representativas; que devem ter em atenção as suas opiniões, depois de analisadas com muita sensatez. Mas colocar nas mãos dos pais (ou encarregados de educação) qualquer avaliação directa dos professores, seja qual for o seu formato, não é de modo algum aceitável.

O excesso de voluntarismo em querer inovar deve ter limites. Tenho apoiado medidas que considero sensatas deste Ministério. Parece-me (e sou cauteloso porque me faltam as propostas do modus faciendi) que esta é uma medida totalmente desajustada, sem qualquer base que a possa legitimar.

Escuso de dizer que sou por uma avaliação dos professores, uma avaliação séria, e que tenha consequências, ou seja, que incentive os melhores e puna os piores. Mas nessa avaliação não podem entrar, directamente, os pais.

2006/05/30

Riga, a capital do Báltico?

Parece que desde sempre Riga foi uma cidade que mereceu a atenção de quem a visitava, e li referências considerando-a a capital do Báltico ou a Paris do Báltico. Ressalvando as proporções há na verdade aqui ou além, na cidade velha, ou seja, no que se poderia chamar o centro histórico, traços que nos podem fazer lembrar a capital francesa. Como prometi, publico algumas fotografias de diferentes zonas da cidade.

Monumento que recorda 1991 - quando Riga
se libertou da ocupação dos russos (1945-1991)


Rua na cidade velha

Um dos parques da cidade. Ao fundo, a Ópera.

Casas numa praça do centro de Riga

Tenho mais fotografias de edifícios "arte nova", a publicar noutro post.