2006/05/31

Pais a avaliar professores?


Confesso que estou cheio de curiosidade para saber quais são as propostas que o Ministério da Educação vai concretizar para dar corpo ao que foi anunciado; que pais podem vir a avaliar professores. A notícia, de que tive conhecimento no regresso da minha viagem, na qual, sem acesso à Internet, fui privado de saber o que se passava no país, deixou-me perplexo, e apenas me ocorre uma palavra para a qualificar: demagogia. Demagogia, e perigosa: porque pode revelar um grande desconhecimento sobre o que seja avaliação de um profissional na casa que gere a educação no país.

Eu defendo que a escola, os professores, têm de ter um diálogo mais intenso com os pais, directamente ou através das associações representativas; que devem ter em atenção as suas opiniões, depois de analisadas com muita sensatez. Mas colocar nas mãos dos pais (ou encarregados de educação) qualquer avaliação directa dos professores, seja qual for o seu formato, não é de modo algum aceitável.

O excesso de voluntarismo em querer inovar deve ter limites. Tenho apoiado medidas que considero sensatas deste Ministério. Parece-me (e sou cauteloso porque me faltam as propostas do modus faciendi) que esta é uma medida totalmente desajustada, sem qualquer base que a possa legitimar.

Escuso de dizer que sou por uma avaliação dos professores, uma avaliação séria, e que tenha consequências, ou seja, que incentive os melhores e puna os piores. Mas nessa avaliação não podem entrar, directamente, os pais.

2006/05/30

Riga, a capital do Báltico?

Parece que desde sempre Riga foi uma cidade que mereceu a atenção de quem a visitava, e li referências considerando-a a capital do Báltico ou a Paris do Báltico. Ressalvando as proporções há na verdade aqui ou além, na cidade velha, ou seja, no que se poderia chamar o centro histórico, traços que nos podem fazer lembrar a capital francesa. Como prometi, publico algumas fotografias de diferentes zonas da cidade.

Monumento que recorda 1991 - quando Riga
se libertou da ocupação dos russos (1945-1991)


Rua na cidade velha

Um dos parques da cidade. Ao fundo, a Ópera.

Casas numa praça do centro de Riga

Tenho mais fotografias de edifícios "arte nova", a publicar noutro post.


2006/05/29

Alguns dias diferentes


Passei agora meia dúzia de dias pertinho do mar Báltico, o que nunca fizera antes. Tenho, pois, alguns posts em perspectiva para além deste. A minha base de estadia foi Riga, a capital da Letónia, mas desloquei-me a Helsínquia por um dia. Se em relação a Helsínquia tinha expectativas que não foram iludidas, em relação a Riga devo dizer que fiquei verdadeiramente surpreendido com o que encontrei. Por muito que se leia, só o ver, o estar, nos dão a percepção correcta da realidade.

A cidade, cujo centro histórico foi considerado pela UNESCO património mundial, é magnífica, sobretudo pelo conjunto de edifícios do estilo arte nova, que se sucedem em algumas ruas, qual deles o mais espectacular. Mas também são de referir os amplos parques, a excelente rede de transportes, a vida cultural intensa, enfim, um conjunto de razões para a minha surpresa e até encantamento.

E tudo isto apenas quinze anos depois da Letónia se ter libertado da tutela comunista (1991). Porque é bom não esquecer que o país esteve longos 51 anos ocupado – primeiro por tropas russas, logo a seguir alemãs e depois de 1945 de novo russas – uma ocupação dolorosa que está documentada num museu cheio de interesse. E durante esse tempo a língua letã, que mais ninguém fala senão os pouco mais de milhão e meio de letãos (ou lactvianos), manteve-se viva e continua viva.

Calcorreei as ruas da cidade, que em Maio acabou de sair de um Inverno rigoroso mas mesmo assim, para quem vem do sul, ainda supõe um suplemento de abafo, de máquina fotográfica sempre pronta. Escolherei algumas das fotos para dar uma ideia daquela que é considerada a capital do Báltico.

2006/05/22

Os lugares onde vivi (Faro – 1983-1993)


De regresso de Londres, fiquei em Lisboa até ao fim de Janeiro de 1983, tendo trabalhado no Instituto de Tecnologia Educativa, por algum tempo na Direcção-Geral do Ensino Secundário e, finalmente, ainda alguns meses na Secretaria de Estado da Administração Escolar, como assessor de João de Deus Pinheiro. Passo pois sobre esse viver em Lisboa, que tem sido sempre a minha base de residência.

Nos começos de 1983 fui convidado para ingressar na comissão instaladora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Faro, e sem muita hesitação aceitei.

Apesar de a minha Mãe ser algarvia (natural de Silves) só tarde fui, pela primeira vez, ao Algarve, numa excursão da minha turma do então 6ºano do Liceu D, João de Castro, realizada no final do 2º período de aulas, fins de Março (isto em 1953…). Passeio que recordo com nitidez, e por isso tenho bem na memória um Algarve que não tem nada a ver com o de hoje: um Algarve ainda longe do turismo como modo de vida.

Depois dessa primeira visita, regressei algumas vezes mas, dizendo a verdade, nunca me entusiasmei muito com o Algarve até ao ano em que decidimos passar uns dias das férias de verão em Pedras d’El-Rei. Descobri aí o Algarve dos dias longos, serenos, da luminosidade sem par, dos odores incríveis, como o das romãzeiras, da fruta maravilhosa. Entusiasmei-me com Tavira, e pensei que seria bom viver aí.

De Fevereiro de 1983 a Dezembro de 1988, praticamente seis anos, vivi pois no Algarve – não em Tavira mas em Faro. Durante cerca de um ano instalei-me, com outros colegas desses tempos pioneiros do Instituto Politécnico de Faro, num andar da zona da baixa da cidade, na Rua de Santo António; depois, passei a habitar num apartamento próprio, perto do Hospital, um 10º andar com vistas espectaculares para o mar e para a serra, avistando-se de Olhão até aos altos de S. Brás de Alportel.

Independentemente de esse período da minha vida ter sido excelente, tendo-me dedicado inteiramente a ajudar na construção da Escola Superior de Educação, gostei de viver na cidade. Embora o período de verão fosse um pouco mais complicado, nessa altura os turistas não paravam muito em Faro, e desde que se evitasse circular pela Estrada Nacional 125, o que com um bom conhecimento das estradas secundárias era possível, passavam-se bem os meses de calor e sempre se podia dizer que se tinham passado as férias no Algarve…

Contrariamente ao que se ouvia dizer, achei os algarvios acolhedores mesmo para quem não era turista, interessados no desenvolvimento daquela que é, na verdade, uma região natural de Portugal. Conheci relativamente bem todo o Algarve, o da Serra, do barrocal, do litoral. Apreciei a culinária algarvia muitas vezes desconhecida do grande público. Contemplei paisagens excepcionais.

Como disse, profissionalmente, tive enorme satisfação com o que fiz. Quando cheguei a Faro, mostraram-me uma quinta na qual se estavam a cavar alicerces; quando de lá saí, deixei uma escola a funcionar num campus bem agradável.

Em fins de 1988, contudo, começava a ficar cansado – foram cinco anos de grande esforço, com muitas viagens, muitas reuniões, muitas emergências para resolver. E por isso aproveitei uma oportunidade para fazer uma pausa e parar para estudar e fazer o doutoramento adiado. No dia 1 de Janeiro de 1989 parti para os Estados Unidos da América, onde iria ficar três anos e meio. Quando regressei, ainda fiquei mais um ano em Faro, que abandonei definitivamente em Julho de 1993.

2006/05/16

Prós e Contras – post em estilo telegráfico


Creio que já uma vez me referi a este programa de televisão como um dos que se deve ter em consideração. De uma maneira geral, dão uma boa imagem do que somos (plural de conveniência, claro…) quando estão em causa temas polémicos. O de ontem, sobre o encerramento não de maternidades mas de locais onde em certos hospitais se assiste a parturientes, entristeceu-me. A política está, mais uma vez, a mostrar o seu lado viscoso, a atirar para o sujo. Num tema tão sério é lamentável. Por isso, as declarações que hoje li de Manuela Ferreira Leite fizeram com que a minha admiração por ela aumentasse. Muito bem!