No caminho para a Universidade, embora curto, oiço como habitualmente a TSF. Hoje, em vez do António Peres Metelo, escuto uma reportagem sobre uma greve de professores de um (ou do, não percebi) agrupamento de escolas de Paço d’Arcos. Motivo? O prolongamento do horário escolar. Uma professora, madrugadora, presta declarações. À medida que fala, começo a desconfiar: professora? Para ela, é óptimo que os meninos fiquem mais tempo na escola para “actividades extra-curriculares”, como o xadrez, o desporto, o Inglês (nesta altura repara que escorregou e tenta reparar os danos). Mas tudo dado por “monitores”, porque os professores apenas têm de preparar as lições e não estarem com os meninos fora das aulas, em actividades para as quais não têm preparação. Oh sacrossantas aulas! Oh sacrossanta “componente lectiva” (quem terá inventado esta termo?)!
O seu discurso é apoiado depois por uma senhora do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa que refere o grande exemplo deste agrupamento: que o país ponha os olhos em Paço d’Arcos porque ali estão os que lutam pela dignidade profissional.
Tudo bem, a greve é um direito, que o exerçam. Mas por favor, não com argumentos que só se voltam contra, essa sim, dignidade profissional de que se deveriam orgulhar. Ainda temos, infelizmente, muito caminho a percorrer para que se perceba qual é o verdadeiro papel dos professores nos dias de hoje.