2005/11/15

Contagem decrescente


Mesmo quando sabemos que certas coisas vão acontecer, o nosso grau de preparação para elas nem sempre é bem calculado. De há um tempo a esta parte venho perspectivando um momento que nem sei bem como classificar, mas que tenho para mim vai ser difícil. E hoje dei o primeiro passo formal, fechado com uma assinatura “igual à do Bilhete de Identidade”, iniciando a contagem decrescente para, daqui a 156 dias, ser obrigado a cessar as minhas actividades como professor no activo. Resta-me a consolação de não poder ser privado da minha condição de professor “inactivo” (ou seja, jubilado), embora espere transformar esse tipo de inactividade em muita actividade – enquanto a saúde me permitir. Mas ao longo desta manhã a ideia da contagem decrescente tem-me tomado mais tempo do que eu desejava. A ponto de decidir colocar este post, como que a exorcizar pensamentos que neste momento não desejo.

Voltarei – quando estiver mais livre.

2005/11/05

Cores de Outono


Nada que se assemelhe à espantosa paisagem do Outono em muitos outros lugares, mas mesmo assim estas árvores do campus de Gualtar da Universidade do Minho estão neste momento com cores bem bonitas (fotografia tirada às 8 da manhã - por isso não se vêem automóveis...) Posted by Picasa

2005/11/03

Finalmente, a chuva!


Tenho para mim que devem ser poucas as pessoas que, apesar dos incómodos que a chuva abundante tem trazido ao nosso dia a dia, não estejam satisfeitas por a “mãe natureza” decidir compensar-nos pela seca que nos fez sofrer.

Eu gosto da chuva – aliás, gosto genericamente do Inverno; o tempo quente deprime-me, reajo mal ao calor, enquanto que o frio me estimula. Claro que tudo o que é exagerado cansa… Recordo-me que nos anos que passei nos Açores, na bela ilha do Faial, houve alturas em que já não suportava o tempo chuvoso (mas não frio), dias e dias a fio. Nessas alturas, um dia de sol sem nuvens, uma raridade, era um dia de alegria. Mas chuva a sério, que começa sem se perceber que vai acontecer e cai em cordas de água que magoam se nos expomos, só a experimentei em São Tomé. São chuvadas curtas, e o calor é tanto que minutos depois o chão está seco…

Que continue a chover, que este Inverno seja de facto Inverno…

2005/11/01

A Casa da Belleza...


A "Casa da Belleza" no Coronado Springs Resort (em Orlando) - um exemplo da influência hispânica na Florida

Memórias recentes de uma viagem (2)


Quando vivi permanentemente nos Estados Unidos não fui assinante das redes de televisão por cabo. De início, não havia muito dinheiro para entrar em despesas supérfluas, depois, quando vivi numa residência da Universidade, ela própria dispensava um pacote, mas muito reduzido, de algumas estações que não estavam disponíveis em canal aberto. Só quando viajei e fiquei em hotéis, tive da televisão por cabo dos EUA uma visão mais completa.

Nos primeiros dias verifiquei que, neste estado do Sul, com forte influência da língua espanhola, existem vários canais que emitem mesmo em Espanhol ou “dobrando” em espanhol os seus programas. A influência do espanhol é aqui muito nítida, e os norte-americanos estão a levá-la muito a sério.

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Sempre apreciei nos norte-americanos a cordialidade com que (normalmente) tratam os estrangeiros. Um dia travei conhecimento com um senhor idoso (provavelmente mais idoso do que eu…) que estava a fazer o papel de controlador dos autocarros que transportam pessoas do “resort” para as diferentes zonas da Disneyland. Estava interessado em saber como se podia ir para a cidade e não para a Disneyland, e ele explicou-me tintim por tintim como fazer. Foram cinco minutos de conversa agradável. Mais tarde, cruzei-me com ele numa das áleas do parque: cumprimentou-me efusivamente, o que fiz igualmente. Esta é a América de que gosto.

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A viagem termina atribuladamente… O furacão Wilma não chegou antes de eu partir, mas teve a antecedê-lo mau tempo. Por isso, no dia 22, sábado, estava já no aeroporto, a escassa meia hora de partir rumo a Detroit, onde tinha uma ligação com tempo aceitável para Amesterdão, quando desabou uma tempestade (chuva e trovoada) que paralisou o aeroporto por quase uma hora. Foi pois com preocupação que fiz a viagem, sempre a pensar se chegaria a tempo. E cheguei: o avião atrasou de propósito dez minutos para permitir aos passageiros em trânsito (eu não era o único) seguir viagem. Este troço – Detroit-Amesterdão – considerava uma espera de mais de duas horas para a ligação para o Porto. Mas o inesperado aconteceu. Um pouco depois de metade da viagem feita (cerca de 8 horas de voo), somos informados pelo comandante que devido a uma emergência médica íamos aterrar em Dublin (Shannon). Mais tarde foi dada a informação completa: uma senhora teve um ataque cardíaco, não havia médicos a bordo, e uma enfermeira que viajava achou que esperar mais duas horas e meia seria perigoso. A escala foi demorada, por causa da burocracia, e como consequência perdi o enlace para o Porto por dois minutos (!). Resultado: estive sete horas e tal no aeroporto à espera de transporte, ainda por cima não directo (fiz Amesterdão-Lisboa-Porto). Em resumo: estive 38 horas sem ir à cama e praticamente sem dormir…