Por que não me apetece escrever? Não me posso queixar de falta de temas – quer actuais, quer exumados da minha memória (afinal, o que justifica o blog), não faltam temas. Mas não me apetece. Provavelmente, é a qualidade dos temas que me afasta da escrita. Não está a ser fácil presenciar o que se passa no mundo e na nossa pequena casa desse mundo e ficar tranquilo.
Egoistamente, penso mais na minha casa – afinal é onde vivo, e onde gostaria apesar de tudo de continuar a viver nos muitos ou poucos anos que me restem. Leio jornais, vejo a televisão, oiço rádio e as (poucas) conversas de rua, e parece que há um ensandecimento global, que ninguém se preocupa a não ser com destruir, por acções ou omissões, desde os que governam aos que são governados. Os primeiros porque criam oportunidade de críticas justas, quando deviam estar vacinados por situações anteriores; os segundos porque não são capazes de perceber (ou se percebem, então são desonestos) que neste momento, apesar de tudo, não se pode facilitar na luta pelo equilíbrio orçamental, quer se aceite de bom grado, ou não, as consequências de medidas que são de facto, duras.
Não, não me apetece escrever sobre tudo isso, preciso mesmo de flutuar acima do presente e procurar temas neutros do passado. Tentarei.