2005/09/20

Porquê?


Por que não me apetece escrever? Não me posso queixar de falta de temas – quer actuais, quer exumados da minha memória (afinal, o que justifica o blog), não faltam temas. Mas não me apetece. Provavelmente, é a qualidade dos temas que me afasta da escrita. Não está a ser fácil presenciar o que se passa no mundo e na nossa pequena casa desse mundo e ficar tranquilo.
Egoistamente, penso mais na minha casa – afinal é onde vivo, e onde gostaria apesar de tudo de continuar a viver nos muitos ou poucos anos que me restem. Leio jornais, vejo a televisão, oiço rádio e as (poucas) conversas de rua, e parece que há um ensandecimento global, que ninguém se preocupa a não ser com destruir, por acções ou omissões, desde os que governam aos que são governados. Os primeiros porque criam oportunidade de críticas justas, quando deviam estar vacinados por situações anteriores; os segundos porque não são capazes de perceber (ou se percebem, então são desonestos) que neste momento, apesar de tudo, não se pode facilitar na luta pelo equilíbrio orçamental, quer se aceite de bom grado, ou não, as consequências de medidas que são de facto, duras.
Não, não me apetece escrever sobre tudo isso, preciso mesmo de flutuar acima do presente e procurar temas neutros do passado. Tentarei.

2005/09/19

Um novo ano na UM…


Regressaram os estudantes. Começam hoje as aulas para todos os anos excepto o 1º – porque para os alunos desse ano o que se inicia é uma semana que lhes é dada para se inscreverem, depois de conhecidas, neste fim-de-semana, as colocações. O campus vai ganhar pois uma animação extra, porque para além das aulas há também a “caça” aos caloiros, pelo menos para os pintarem…
É sempre com alegria que vejo iniciar-se um novo ano – mesmo este, que tem para mim um significado menos alegre. Mas a vida é deles, desses jovens que logo pela manhã deram outra cor ao campus. Já sei que vão cometer excessos nestas semanas iniciais, com aquela mania da praxe que se tem expandido neste país. Já sei que vamos ser incomodados e só espero que não existam situações graves, que podem ocorrer dada a falta de sensatez de uns tantos. Por mais que se procurem soluções, incluindo acordos com os estudantes da Associação Académica, que até são relativamente sensatos, há sempre quem salte a barreira…
Mas não quero antecipar nada. Hoje, só queria assinalar o começo do ano lectivo de 2005-2006. Num dia bonito, cheio de sol, como devem ser os dias em que se começam coisas importantes.

2005/09/16

Bolonha: prelúdio à fase final…


Acabo de reunir num dossier (já disse que não escrevo dossié) a legislação pertinente que tem sido publicada para enquadrar Bolonha. Ao fim de anos de conversa, toca a rebate e “agora é que é”. E mesmo assim, ainda faltam decisões importantes… Por dever de ofício (mas confesso que me dá algum prazer este tipo de trabalho) estou praticamente no centro das complexidades do processo, e desde o princípio do mês a actividade tem sido mais ou menos frenética. Mas dizia eu que acabei de organizar o tal dossier. Claro que já tinha lido tudo, mas agora a leitura tem de se tornar mais focada, mais lenta, e por isso reparei que o Decreto-Lei nº 42/2005, de 22 de Fevereiro, continha, nas disposições revogatórias, o artigo 68º do Decreto nº 18 717, de 2 de Agosto de 1930 (fazendo o legislador o favor de informar que se tratava do “Estatuto da Instrução Universitária”). Ora tendo esse Decreto sido publicado antes de eu ter nascido (!) e mantendo-se em vigor, perguntei-me: “Que norma tão duradoura estaria consignada nesse artigo?”. Na verdade, não sabia.

Sendo altamente duvidoso que existisse tal Diário do Governo próximo do meu gabinete (sendo certo que na Biblioteca Pública existe, mas está longe) não perdi tempo: o Google costuma salvar-me nestas emergências. Mas não foi tão fácil como pensara descobrir, não o Decreto (que aparece em mais de 80 páginas da Net), mas o que dispunha o célebre artigo 68º. Mas consegui! Por amabilidade de uma deliberação do Conselho Pedagógico da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que se encontra disponível entendi que esse artigo dispunha a obrigatoriedade de o aluno ser classificado uma escala de 0 a 20. Ora como com Bolonha passará a haver a menção qualitativa, eis a razão da norma revogatória.

Estes são os trabalhos preliminares da fase final (formulação bizarra mas verdadeira). Apesar de tudo, tenho alguma esperança que exista um bom retorno das canseiras e dificuldades que nos esperam. Para já, saúdo a revogação do artº 68º do Decreto 18 717 de 2 de Agosto. A propósito: repararam que há mais de 70 anos já havia o hábito de publicar legislação importante para a educação em Agosto?

2005/09/15

O novo ano lectivo


Recomeço a ver, no meu caminho para a Universidade, crianças e adolescentes com os seus “backpacks” a caminho das escolas. No meu tempo usavam-se, felizmente, pastas – teria detestado andar com pesos às costas!

É isso, aí está o novo ano escolar. Com muitas coisas novas. Como vão ser elas postas em prática? Apesar do meu optimismo, tenho algumas dúvidas no êxito de algumas delas. Mexer na educação é necessário mas é sempre perigoso. Há um princípio que em todas as situações de mudanças educacionais deve ser respeitado: é necessário que os professores compreendam essa mudança e a aceitem. Eu sei que é um princípio que à partida não tem sentido porque nunca todos os professores estarão de acordo em relação às inovações. Ah! Mas existe um outro princípio, elementar, que explica que as mudanças levam tempo a surtir efeito. Não se muda de um dia para o outro; é preciso mudar lentamente, ter paciência, persistir, convencer. Em alguns aspectos, estou convencido que haverá sucesso; noutros será difícil. Como tem sido referido por muitos, há mais concordâncias que discordâncias em relação ao que tem sido proposto, mas há também consciência que em muitos casos as variáveis locais vão interferir no processo.

Por outro lado, serão todas as coisas novas coisas boas? Uma vez mais creio que são no plano das intenções; levantam-se-me algumas dúvidas no plano da realidade. Também aqui, esperar para ver.

2005/09/11

11 de Setembro

A memória do 11 de Setembro (não é preciso dizer o ano) é recente. Estava em Lisboa nesse dia (chegara ao fim da manhã) e depois do almoço a minha filha informou que na Internet vira que tinha havido um desastre com um avião em New York. Ainda não eram duas da tarde. Liguei a televisão e sintonizei a CNN. A tempo de ver, em directo, o impacto do segundo avião na torre ainda incólume. Depois, o desmoronar dos dois edifícios. As pessoas mergulhando no espaço para fugir a outra forma de morte. Horrível. Depois, foi toda a tarde a dividir a atenção entre a televisão e a rádio. Tínhamos combinado ir jantar fora – mas não havia vontade para tal.

Como toda a gente, fiquei chocado com a amplitude da tragédia e preocupado com as consequências. Disse-se na altura que nesse dia todos fomos “americanos”. Senti certamente mais do que outros pelo facto de ter vivido nos Estados Unidos e ter excelentes recordações desse grande país. Mas tinha (e com razão) muitas dúvidas sobre o que faria a administração Bush. Na altura, foi razoável; mas iria manifestar-se mais tarde completamente desajustada.

O “nine eleven”, como abreviadamente os norte-americanos o designam, teve consequências pessoais. Estava a contar passar o ano sabático de 2001-2002 nos Estados Unidos, mas as sequelas do ataque obrigaram a alterar planos. E em vez de passar seis meses, como planeara, apenas estive um mês e alguns dias.

Quatro anos depois, apenas recordo a emoção do próprio dia e não me apetece – literalmente – tecer comentários sobre o que sucedeu depois.