Desde há muito tempo que, com raras excepções, tenho uma desconfiança enorme acerca da comunicação social. Informar com isenção não é fácil, sobretudo quando se escreve para uma sociedade que ainda está longe de ter compreendido o sentido pleno do que é a democracia. Informar tendo respeito pelos outros seria mais fácil mas não é: ainda agora comentei isso num post da Saltapocinhas acerca das entrevistas caricatas a quem é vítima dos fogos. Informar sem envenenar seria excelente. Mas não é. Um exemplo de uma revista que, apesar de tudo, leio aos fins-de-semana: a Sábado de hoje. Uma local sobre a aposentação do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues (ver aqui a sua biografia) é titulada “Uma boa reforma”.
Nascimento Rodrigues vai receber de aposentação cerca de 4,500.00 €, o que é considerado uma “reforma dourada”…
Fico perplexo. Nascimento Rodrigues trabalhou toda a vida na função pública. Foi técnico superior, deputado, Ministro, exerceu numerosos cargos importantes – incluindo o último, o de Provedor de Justiça. O que recebe como pensão de aposentação, tendo 65 anos, é pouco mais ou menos o que recebem muitos juízes, professores catedráticos, e funcionários de algumas carreiras da saúde. Reforma dourada porquê? Que chamem reforma dourada a quem receba um bónus por trabalhar meia dúzia de anos num serviço, certo! Mas a quem acaba uma carreira e ostenta um currículo como ele?
Devo prevenir que não tenho relações pessoais com Nascimento Rodrigues. Mas irritou-me o veneno.

