Da entrevista:
Entrevistadora – Arrisca-se a ter cursos de ciências e tecnologias completamente vazios, porque as médias a matemática, nos exames nacionais, são de quatro valores…
Ministro – O que é absolutamente extraordinário é poder acreditar-se que é preferível transferir o insucesso escolar para a frente. É possível alguma vez acreditar que alguém que tenha nos exames nacionais três ou quatro valores em vinte possa com sucesso frequentar um curso de Engenharia? Não é um desperdício gigantesco de recursos para Portugal?
Entrevistadora – O curso de Engenharia pode é ficar sem alunos…
Ministro – Se ficar sem alunos um ano, talvez no ano seguinte faça um esforço maior para dar a mensagem aos estudantes do ensino secundário que é absolutamente indispensável estudarem. O que é absolutamente inacreditável é esta ideia, que se generalizou na sociedade portuguesa, que tudo era fácil. Não é fácil. É preciso estudar. É preciso estudar mais.
Esta não é uma posição elitista: é uma posição inteligente em defesa das instituições e dos próprios alunos. Todos sabemos que por detrás da aceitação de candidatos sem quaisquer bases para fazer um curso superior existe a necessidade de a instituição ter alunos; mas há limites. Como tenho defendido neste espaço, a relativa complacência em relação aos alunos que frequentam o ensino básico deve acabar quando se entra para o secundário. Fico pois satisfeito com a atitude de Mariano Gago e ainda mais contente por o CRUP manifestar concordância. Quanto ao CCISP, apenas uma pergunta: que espécie de credibilidade pretende para as escolas que representa ao pôr reticências a esta ideia?
In Diário Económico – dia 6 de Maio de 2005, p. 36