2005/04/27

Afinal, o que é um blog?

A pergunta pode parecer estranha para quem publica um – mas para mim não é. Quando comecei a deter-me em blogs, muito tarde para a maioria dos que já há anos estão disponíveis, a minha primeira impressão foi ligar a maior parte a diários pessoais, mais ou menos intimistas, e outros a projectos tipo jornal – aliás, alguns deles eram mesmo isso, porque eram base para artigos na imprensa escrita. Outros ainda exploravam a veia humorística, outros artística; em qualquer caso, apareciam a meus olhos como iniciativas pessoais, nas quais o autor publicava, sem qualquer interferência, o que desejava. A hipótese de haver comentários surgiu-me na altura como uma abertura para um confronto de ideias clarificadoras e – devo dizer – esse foi um dos aspectos que me aliciou.

Demorei no entanto a aderir, se bem que durante ano e meio tenha usado um blog como ferramenta pedagógica num curso de mestrado; mas a um dado momento decidi-me. No meu primeiro post de A Memória Flutuante, escrevi:

Há quase cinquenta anos que tenho estado envolvido no mundo da educação … Guardo pois uma memória destes últimos anos (por vezes apoiada em documentos que conservo). Não me parece que escrever um livro de memórias tivesse qualquer interesse. Pelo contrário, penso que alimentar um blog com algumas dessas memórias pode ser interessante para alguns e provocar (por que não?) um diálogo esclarecedor em relação ao passado.

Assumi pois que o meu blog poderia ser qualquer coisa que ficasse a meio caminho desse livro de memórias que em princípio não irei publicar e de uns esboços de capítulos desse mesmo livro. Nos três meses que levo a, com alguma regularidade, publicitar as minhas ideias, verifiquei com algum espanto que havia quem “me” visitasse e dialogasse, anuindo e discordando, dando achegas rectificadoras sobre o que escrevia, e até cheguei a ter correspondência por e-mail, num diálogo que no blog teria pouco cabimento mas era importante para esclarecer um ponto nebuloso. Conheci bloggers cheios de interesse, com quem estabeleci laços de simpatia (digo assim porque escrever amizade seria porventura ir longe demais, pelo menos considerando o meu conceito de amizade). Tive numerosos posts sem comentário – o que é normal. Por meu lado, visitei de modo irregular muitos blogs e seleccionei alguns para visitas mais assíduas (a lista de links diz quais).

Ultimamente, alguns dos blogs que eu visitava terminaram ou manifestaram a intenção de desaparecer. Não vou dizer que não seja natural – tudo o que existe tem de ter um fim – mas ver sair da blogosfera alguns blogs cheios de interesse, e independentemente das razões dos seus autores, levou-me à interrogação: afinal, o que é um blog?

Uma pesquisa rápida na Internet fez-me chegar a um blog da Escola de Direito de Harvard que me deu, não uma definição, mas um conjunto de características necessárias para um blog com as quais concordo em absoluto: o autor (ou autores) escreve sobre a sua própria experiência, em liberdade, sem quaisquer cuidados de edição, vindo claramente à superfície a personalidade do escritor (que se considera o elemento essencial de quem escreve blogs).

A esta luz, que posso eu esperar, que podemos nós, autores de blogs, esperar, ao lançar as nossas ideias na Net? Nunca pensei em fazer do blog um muro de lamentações nem tão pouco um libelo acusatório permanente contra instituições ou pessoas. Nunca me incomodou muito se era ou não lido, se era ou não comentado. Há quatro anos que mantenho na Rádio Universitária do Minho uma crónica semanal. Não sei quem me ouve, até se alguém me escuta, mas gosto de a fazer. Aqui, sei de uma dúzia de bloggers que me lêem – e sei, deles, algo mais pelos seus comentários, que gosto muito de ler – mas nada sei de muitos outros. Tudo bem. Se aquilo que digo despertar um pouquinho do interesse de quem aqui vem, penso que o blog se justifica. Resta a dúvida: e se ninguém procurasse A Memória Flutuante, ela justificar-se-ia? Desfiz a dúvida pensando: se eu publicasse um livro que ninguém lesse, teria sido justificável escrevê-lo? A resposta veio clara: com certeza. Porque ele me pertencia e podia fazer dele o que quisesse: publicá-lo, metê-lo na gaveta, inclusive queimá-lo se o detestasse. Assim o meu blog continuará a ser o que quis que ele fosse: porque escrevo em inteira liberdade, com mínimos cuidados de edição (este blog não é um blog “científico”…), e porque sei que nas minhas palavras projecto a minha autenticidade, coisa que muito prezo.





2005/04/26

Trinta anos depois…


Tal como o meu 25 de Abril de 1974 está ligado ao dia 24, o 25 de Abril de 1975 está ligado ao dia 26. Isto porque na verdade só na madrugada do dia 26 de Abril (faz hoje 30 anos!) adormeci, depois de um dia extenuante, passado numa dependência fria e escura na Praça de Touros do Campo Pequeno (onde funcionaram secções de voto da freguesia de Nossa Senhora de Fátima), no desempenho da missão de representante de um partido político. Adormeci convencido de Portugal ser, definitivamente, uma democracia, e convencido igualmente da sabedoria do povo que votara, numa percentagem que nunca mais foi alcançada, na eleição para a Assembleia Constituinte. Ainda ontem a televisão recordou como a única estação existente, ainda a preto e branco, dava os resultados quase finais pouco antes das sete da manhã do dia 26. Comentava-se ontem, ao recordar esses momentos: foi nesse dia que se decidiu muito do futuro do país no que diz respeito à vontade dos eleitores, que têm mantido, no fundo, uma constância razoável quando têm sido chamados a votar, não propriamente aos “nomes” dos partidos mas ao que eles acabam por significar em termos de projecto, situando-se sempre em áreas de moderação. Hoje, afastado da política partidária, mas não tendo perdido nenhuma das minhas convicções de então, continuo a pensar que será difícil que os portugueses decidam enveredar por outro caminho, pelo menos nos próximos tempos.

2005/04/25

O meu 25 de Abril


O meu 25 de Abril começou a 24. Por uma rede de associações, evocar o 25 de Abril traz-me à memória, coladinha, a noite da véspera. Eu trabalhava então na Direcção-Geral do Ensino Secundário, como chefe da divisão de Programas e Métodos (na altura, a palavra currículo não tinha ainda ganho cidadania neste país), e costumava sair tarde, mas às quartas-feiras eu tinha logo às 21 horas um compromisso (dava aulas na Escola Superior de Organização Científica do Trabalho, no ISLA, na Rua do Sacramento à Lapa) e por isso fiquei algum tempo mais no gabinete. Jantei, como quase sempre, no pequeno restaurante da Escola, ouvi ainda comentar o jogo que o Sporting fizera nessa noite na Alemanha de Leste para uma das competições europeias (uma vaga ideia de ter perdido 2-1) e depois “dei” a minha aula. Era uma aula de 3 horas, por isso só pela meia-noite regressei a casa. No momento não chovia, mas as ruas estavam molhadas de chuva recente. O percurso entre a Lapa e a Avenida de Berna, a essa hora da noite, era rápido. Pouco trânsito. Deitei-me. Adormeci e como de costume acordei pelas 7 e 30. Liguei o rádio (ouvia sempre, nessa altura, o programa da manhã da então Emissora Nacional), e… nada. Bom, acontecia por vezes. Por isso desliguei o rádio para não ouvir aquele ruído irritante de rádio ligado sem estação e fui para a casa de banho. Pelas dez para as oito, toca o telefone. Vou atender, surpreso pela hora matutina, e o diálogo surrealista que se segue aconteceu pouco mais ou menos assim.

“Sr. Dr.? Fala a X , Reitora do Liceu de …”
“Bom dia, Srª Reitora.”
“Oh Sr. Dr., eu vinha perguntar se devo abrir o Liceu”.
“Homessa! Abrir o Liceu! (como é óbvio, estava espantadíssimo) Mas porquê?”
“É que dizem que há uma revolução!”
E eu, muito parvo: “Isso deve ser boato!”
E a senhora, convicta: “Não ouviu a rádio? Estão a dizer a todo o momento…“

Rapidamente liguei o silêncio às 7 e 30 a qualquer coisa que poderia estar a acontecer. Creio (mas a memória aqui falha…) que a aconselhei a abrir o Liceu se houvesse alunas fora do edifício, porque sempre estariam mais seguras se houvesse confusão e desliguei. Abri de novo o rádio e a mensagem chegou: “Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas…”

Era, então, verdade. Rapidamente, minha Mulher e eu delineámos a estratégia. Ambos iríamos para os nossos postos de trabalho, mas a filha, nessa altura com 6 anos, não iria ao Colégio e ficaria em casa da porteira, que sempre a acolhia com alegria. Deixei à Mãe o encargo de explicar à filha o que se estava a passar e depois de um pequeno-almoço comido em alvoroço saímos. Havia menos trânsito do que habitualmente. Deixei a minha Mulher na Praça de Londres e rumei à rua Diogo do Couto, perto de Santa Apolónia, onde era a Direcção-geral. Não passei por um militar – nem um polícia. A rádio continuava a transmitir os comunicados. Como eu, muitos tinham ido ao serviço, e vindos de diversas partes de Lisboa contavam o que tinham visto. Um viera pelo Terreiro do Paço e era quem dava as notícias mais inquietantes (havia mais tarde de revelar-se um MRPP surpreendente!).

Adivinhava-se o que estava a acontecer. O 16 de Março fora o sinal, como antes dele o livro do Spínola. Só não se podia com certeza saber o que vinha a seguir… A meio da manhã, o director-geral recebeu ordens para toda a gente ir para casa. Telefonei à minha Mulher e fui buscá-la (podia também sair mais cedo). Antes de almoço estava em casa, ouvindo as notícias que a rádio ia dando. Eu morava (e de algum modo moro, embora neste momento quem lá viva é a minha filha) ao pé de um quartel já desaparecido, o Trem Auto, que foi convertido na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova. Passei a tarde a ouvir rádio e a tentar descobrir sinais vindos do quartel – mas nada… Consegui, na banda de FM, apanhar conversas entre grupos de missão ligados aos revoltados, mas os códigos não me permitiram perceber praticamente nada. Quando pareceu seguro que o sinal da revolução era positivo, que acabara o regime em que eu nascera, senti grande alegria. Pelas seis e pouco saí para comprar os jornais da tarde – eram quatro, ao tempo: Diário Popular, A Capital, Diário de Lisboa e a República. Durante muito tempo depois desse dia memorável, comprei-os sempre todos, como de manhã comprava O Século e o Diário de Notícias. Não fazia ideia o que viria a seguir, mas sentia-me feliz. À noitinha, a minha filha, que fora acompanhando como podia aquele dia célebre, perguntava à Mãe, antes de adormecer: “Mamã, e agora quem é que está a governar?” Eu, ouvindo pela rádio que a televisão ia mostrar a Junta de Salvação Nacional, decidi: tem de ser, temos de comprar televisão, porque agora vale a pena tê-la! Até então resistira à televisão. Não no dia seguinte, porque o comércio esteve praticamente fechado, mas no sábado, comprei a minha primeira televisão, uma Panasonic portátil, bem pequenina, que me custou, na altura, 5 mil escudos (quase metade do meu ordenado do tempo…)! Já pude então ver, em directo, a saída dos presos de Caxias.

O 25 de Abril foi um dia que quase posso recordar por inteiro. Não fazia ideia, na altura, o que se iria passar a seguir, mas nunca pensei que se caminhasse tão depressa rumo a um país diferente. Só no Primeiro de Maio tive a certeza que iriam acontecer coisas importantes e tinha de me preparar para elas. Mas esse 1º de Maio, recordá-lo-ei na altura certa…

2005/04/24

Nomeações de carácter político


Concordo com a decisão do governo socialista de limitar os mandatos para quem detém cargos de natureza política (e a maioria dos portugueses concordará também, estou certo). Concordo igualmente com os concursos para lugares de topo da administração pública, para evitar os convites, eventualmente propiciadores de práticas pouco recomendáveis de compadrio. Tenho, porém, grandes reservas à decisão de ligar os directores-gerais à cor política dos governantes. O director-geral (ou alguém que se lhe equipare à frente de uma organização estatal) não deve ser escolhido por ser um político mas pela sua competência técnica. E como técnico tem apenas de conduzir a política do governo. Deve, naturalmente, fornecer ao governo as informações e fazer as propostas que os seus serviços elaborem (e essas informações e propostas devem ter em conta, necessariamente, as orientações do governo). Se alguma vez uma orientação for por ele considerada uma violência, só tem um caminho: demitir-se. Mas enquanto cumprir a politica do governo com lealdade não deve ser substituído.

Num passado muito passado o cargo de director-geral era vitalício, o que podendo parecer uma enormidade tinha alguma razão de ser. Embora o grau de dificuldade de gestão de uma Direcção-geral varie, é indispensável um conhecimento profundo dos serviços e dos dossiers (detesto escrever dossiés!) pelo que só uma permanência continuada se adequa a esse total conhecimento. Os governos mudam e podem por vezes mudar em prazos curtos, pelo que um director-geral deveria ser a peça mais importante para a ligação dos serviços com o Ministério respectivo. Se for um político, o mais certo é desinteressar-se dessa tarefa – pelo menos…

Posso fazer uma analogia com o que se passou depois do 25 de Abril (amanhã vou publicar um post com as minhas memórias dessa data!) no Ministério da Educação. Depois de um período inicial em que não houve mexidas, os directores-gerais foram todos substituídos. Na minha Direcção-geral, que tinha à sua frente um homem notável pela sua energia, capacidade de trabalho e competência em relação a tudo o que dizia respeito ao ensino secundário, foi empossado um homem excelente como pessoa e como profissional de primeira água, na área da sua especialidade, mas sem qualquer experiência de gestão; meses depois foi substituído por outro do qual se podia dizer a mesma coisa com um acrescentamento – era político de alto a baixo… Eu era na altura chefe de divisão, não fui “saneado”e por isso permaneci e tive ocasião de presenciar a decadência profunda de uma estrutura que era de grande qualidade (perdoe-se-me este elogio em causa própria) e ficou literalmente “em cacos”. Por outro lado, a desconfiança política dos governos de então para com os estudos, pareceres e propostas da Direcção-Geral era enorme. Terá começado então a moda dos grupos de trabalho “ad hoc”, dos “secretariados”, dos assessores, que faziam, com muito menos competência do que os serviços, o trabalho encomendado pelos Ministros. Coisa que ainda hoje existe, infelizmente.

Esta decisão de “indexar” os directores-gerais à cor política do governo é, a meu ver, infeliz. Em vez de se privilegiar a capacidade técnica pode muito bem acontecer (estou a ser optimista…) que se privilegie a dedicação ao partido, o que é lamentável e pode ter custos elevados: se esse director-geral não for cauteloso para com os seus quadros, inferiores na hierarquia, podem vir a existir problemas.

Dito isto, posso compreender a delicadeza de legislar sobre este tema, mas a solução, que pode politicamente ser bem aceite pelos partidos, que ficam assim com mãos livres, agora e no futuro, para a nível dos mais elevados lugares da administração pública, colocarem pessoas de sua confiança, pode ter efeitos muito perversos, bloqueando, na altura da passagem do testemunho, processos em curso, e introduzindo nos serviços intranquilidade e desmotivação.

Desta vez, até estou mais ou menos de acordo com António Barreto (no Público de hoje), como concordo com Manuela Ferreira Leite) no Expresso de ontem, os quais abordaram este assunto.

Voltando a falar de manuais


Já aqui deixei no passado algumas ideias sobre manuais, a propósito da notícia da revogação do despacho da anterior Ministra da Educação sobre as trocas de livros escolares nas escolas. O novo despacho foi publicado no Diário da República do dia 22 (leia aqui na totalidade) e considero as razões invocadas claramente expostas e pertinentes:

Não atendeu (o despacho anterior) a que, por razões pedagógicas, os alunos necessitam de se manter na posse dos manuais, pelo menos, no início do ano lectivo seguinte e geralmente ao longo de todo o ciclo. Não ponderou as dificuldades resultantes da adopção de manuais diferentes em anos consecutivos, nem considerou a impossibilidade de controlar a efectiva entrega dos manuais usados pelos alunos que mudem de escola, particularmente no 6º ano, ou que deixem de beneficiar do regime em virtude de terem concluído o ensino básico. Remeteu para as escolas a aplicação de um mecanismo pesado que a larga maioria não está em condições físicas ou funcionais de assegurar e que poderia prejudicar outros aspectos do seu funcionamento.

Agora, resta esperar por novas medidas que, de acordo com o mesmo despacho, devem ser propostas pelo Secretário de Estado Adjunto até ao próximo mês de Outubro.

Mas o meu regresso ao assunto tem muito a ver com uma discussão que ocorre noutros blogs, iniciada nas Fábulas, noutro registo, porque refere sobretudo o exagero do número de manuais que são enviados às escolas para que estas decidam quais adoptar para o próximo ano lectivo, e ao mesmo tempo apontando o dedo à qualidade de alguns e o preço excessivo de quase todos.

O que vou dizer a seguir é certamente polémico e aceito desde já todas as críticas que antecipo me venham a ser dirigidas.

Os manuais são apenas um dos muitos recursos que o professor e alunos dispõem para a aprendizagem. Eles podem mesmo não existir. Para muitos professores, os livros de texto funcionam como um catecismo, e não como um elemento que sirva para os alunos obterem informação, claro, mas exercitarem, também, a sua capacidade de análise crítica e desenvolvimento de um pensamento independente e criativo.

É verdade que os manuais têm evoluído bastante e alguns procuram dar resposta a esta exigência pedagógica, mas compete ao professor, e não ao manual, decidir como deve orientar o processo de ensino-aprendizagem dos seus alunos. Ora os manuais acabam por ser os instrumentos que organizam o currículo, quando tal deveria ser tarefa dos professores.

Curiosamente, na edição de ontem do Expresso (como se sabe, indisponível on-line). António Brotas publica um artigo, “Sobre o ensino da filosofia”, em que de passagem fala de manuais. E referindo-se a um seu professor de História (que haveria de ser depois docente da Faculdade Letras de Lisboa, com obra de envergadura no campo da Lógica, Edmundo Corvelo), escreveu:

O professor [de História] Edmundo Corvelo … não tinha adoptado nenhum livro. Em vez disso convenceu o director a abrir aos alunos a biblioteca do Colégio Militar onde, até à data, não tinham acesso. Também não seguiu, que eu tenha notado, qualquer programa. Distribuía-nos temas que preparávamos e, depois, éramos nós que dávamos as aulas (nalguns casos, em francês).

Eu sei como é difícil pensar na exequibilidade de tais processos numa estrutura que, apesar de boas intenções, tem sempre receio de dar autonomia total aos professores – senão, para quê exames? Eu sei, também, que muitos professores, a todos os níveis, não estão preparados para serem gestores do currículo. Para esses, um manual pode ser útil. Para os restantes, o manual é, a meus olhos, não só uma inutilidade como um empecilho.

Como as editoras enviam muitos manuais aos professores, uma das soluções será esses professores colocarem todos os manuais na escola, formando uma mini-biblioteca de livros de texto, e servirem-se deles na medida em que os considerem úteis. Ficam de pé alguns problemas relacionados com duplicação de textos que sejam necessários, o que em certas escolas é complicado por falta de meios, mas a criatividade dos professores pode tentar encontrar solução…

Sou mesmo irrealista, não sou?