2005/04/22

As Crónicas na RUM (4)


“Habemus papam!” – e foi assim, como desde há séculos, que o mundo soube que o conclave dos cardeais elegera um novo Papa. Só que o mundo que seguiu, em relação à eleição de Bento XVI, o seu anúncio, não é o mesmo mundo que se interessou, em 1978, pela eleição de João Paulo II. Para além do inegável interesse que para os católicos tem o haver um novo Papa, o facto ultrapassa os limites do religioso porque é, também, político, pelas repercussões que pode ter no futuro.

É interessante especular um pouco sobre o interesse desmesurado que este conclave despertou. Interesse que levou o evento ao mundo em directo: na terça-feira, pelas cinco da tarde, não havia virtualmente canal de televisão que não transmitisse do Vaticano… Por um lado, isto deve-se ainda a João Paulo II, que ao protagonizar uma agonia lenta e comovente, contribuiu para que se levantassem interrogações naturais sobre quem o seguiria. Mas por outro a própria Igreja aproveitou e, ao conceder facilidades no registo de imagens que até há bem pouco tempo eram privadas, demonstrou compreender bem o poder dos media. Mas neste caso, mais do que sucumbir a esse poder, creio que o terá desejado…

Não vou aqui tecer considerações sobre Bento XVI nem procurar fazer futurologia sobre a sua acção. A Igreja é uma instituição muito antiga, tem sobrevivido ao longo de séculos, e embora sejam muitos os desafios que tem enfrentado, e enfrenta hoje, tem provado ser suficientemente resiliente. O seu maior desafio consiste, creio, em decidir sobre dois caminhos: resistir, resistir sempre, e ver diminuir o número de fiéis, ou desenvolver-se, à custa de maior abertura.

Bom, estava eu a dizer que não ia especular sobre o futuro! Deixemos que o novo Papa actue e desejemos-lhe lucidez e sorte. A Igreja também precisa de sorte…

Noutro registo, não esqueçamos que na segunda-feira se comemora o trigésimo primeiro aniversário do 25 de Abril. Sendo a Rádio Universitária para gente jovem, talvez a maior parte dos meus ouvintes tenha nascido depois dessa data, pelo que se aperceberão mal do seu significado. Quando eu nasci a República fora implantada há menos de trinta anos e o 5 de Outubro significava sobretudo um belo feriado; ter um Rei ou um Presidente da República foi durante algum tempo, para mim, uma questão totalmente irrelevante.

É evidente que o tempo tudo esbate e aceito que a juventude de hoje conceda ao feriado de 25 de Abril apenas a atenção que ele merece como feriado… Mas é bom não deixar de lembrar o que ele significa, e sobretudo nos dias que vivemos, nos quais parece que a maioria dos portugueses anda mesmo deprimida, cheia de pessimismo, descontente com tudo e com todos, sem esperança de melhores dias. E se é certo que nem tudo tem corrido bem, não é menos certo que hoje somos um país onde há liberdade, e está muito nas nossas mãos decidir o futuro que desejamos – exactamente o que faltava antes da chamada Revolução do 25 de Abril.

Eu vou na segunda-feira, lembrando a emoção de ter vivido esse dia, tentar ser ainda mais optimista do que sou e sorrir ao futuro.

Até para a semana.

2005/04/20

Habemus Papam

Independentemente das convicções religiosas de cada um, a eleição de um Papa é sempre um acontecimento. Mas a minha memória de três eleições de Papas não me restitui nenhuma que tenha tido a repercussão desta. E a última foi em 1978… Porquê, esta quase obsessão? Penso que por dois motivos: um, derivado da longa convivência com o acabar de João Paulo II – era importante conferir a imagem do que partiu com a do novo Papa; outro, a força da comunicação social – a Igreja abriu mão de algumas das suas privacidades e os media, com a sua força, aproveitaram... Agora, certamente vamos descansar um pouco…

2005/04/19

Os graus no ensino superior


Entre os aspectos que Bolonha trouxe à discussão situa-se o nome dos graus a conceder no ensino superior. Há quem defenda que Portugal alinhe com a maior parte dos países, eliminando o grau de licenciado e considerando os de bacharel, mestre e doutor. Há quem não aceite o pôr de parte o título de licenciado, argumentando com o peso de uma tradição e, também, com a possível desvalorização que tocaria a quem o possui.

Confesso que este ponto não me suscita grande emoção. Talvez pela influência anglo-saxónica que assumo, claramente, e porque penso que tal facilitaria os contactos internacionais, voto pelo trio bacharel – mestre – doutor.

Como muitos saberão, a designação licenciatura tem raízes nas universidades medievais: inicialmente, após o curso, o chanceler concedia a licentia docendi, isto é, a licença de ensinar, o que a maior parte dos laureados iria de facto fazer nas igrejas. A continuação dos estudos levava ao título de Mestre (concedido numa cerimónia chamada inceptio), título esse que se confundia mesmo com o título de Doutor. Mas com o rodar dos séculos a licentia docendi foi perdendo importância, e em Portugal, no século XIX, o grau mais prestigiado era o de bacharel (aliás, bem documentado na literatura da época). As licenciaturas permaneciam mas eram como que preparatórios para o doutoramento. No século XX, já com a República, continuaram a existir bacharelatos e licenciaturas, mas a pouco e pouco os primeiros foram desaparecendo a ponto de, em meados do século, só haver licenciaturas. O grau de bacharel é depois restabelecido quando da criação dos politécnicos.

Como é evidente, a extensão dos estudos foi sempre um factor determinante para serem distinguidos pelo nome. Assim, embora as actuais licenciaturas (algumas de 4, outras de 5 e até de mais anos) se tenham já depreciado em relação a um passado não tão distante como isso, vamos agora continuar a designar como licenciaturas os possíveis cursos de 3 anos (1º ciclo)? Como é evidente, os “velhos” licenciados sentir-se-ão pouco felizes…

Pode argumentar-se, contudo, que o mesmo se passa em relação aos actuais mestres, que necessitaram de pelo menos 6 anos (4 de licenciatura e 2 de mestrado) para o grau e no futuro verão formar-se colegas mestres com apenas 5 anos de estudos superiores. Bom, quando há alterações profundas num sistema não se pode evitar alguma incomodidade.
Mas, como disse inicialmente, não é este o aspecto do chamado "processo de Bolonha" cuja resolução mais me preocupa, seja ela qual for…

2005/04/18

A paisagem que me acompanha no dia-a-dia...


Sentado à secretária do meu gabinete é esta a paisagem em que posso repousar os meus olhos do excesso de computador e papel...
Posted by Hello

2005/04/17

A Fortaleza de If (ao largo de Marselha)


Falei ontem de um dos meus heróis de romance quando quase pouco mais era do que criança (era mesmo criança...): Edmundo Dantès. Alexandre Dumas fê-lo prisioneiro da fortaleza de If, construída num rochedo em frente a Marselha. Fica a fotografia da ilha e forte, tirada em Dezembro do ano passado. Infelizmente não pude visitá-la porque o estado do mar não permitia o acesso à embarcação que faz as viagens turísticas. E não querem crer que tive pena?
Posted by Hello