2005/02/17

17 de Fevereiro



Deixem-me hoje expressar o meu regozijo por comemorar mais um aniversário da minha Universidade – aquela onde iniciei, há vinte e oito anos, a docência no ensino superior: a Universidade do Minho. Como fez 31 anos, isto significa que quando aceitei trocar Lisboa por Braga a Universidade tinha 3 anos, apenas gatinhava… Foram tempos de grande entusiasmo, que um dia evocarei com algum pormenor. Hoje apenas quero sentir-me orgulhoso por pertencer a uma Universidade que cresceu, ao longo destes anos, mostrando uma vitalidade aliada a qualidade que a faz ser reconhecida nacional e internacionalmente.
O dia foi de festa, como são todos os 17 de Fevereiro; somente hoje houve um adicional de interesse na comemoração, por ter sido concedido o doutoramento honoris causa a Joaquim Chissano, que há pouco deixou a presidência da República Democrática de Moçambique. Esteve presente o Presidente da República, Jorge Sampaio, e, por ser o padrinho do doutorando, Mário Soares. Foram oradores, fazendo o elogio do Padrinho e do doutorando, os Professores Pedro Bacelar de Vasconcelos e Manuel Lobo Fernandes. Foi uma boa sessão, com boas intervenções; para além da cerimónia do doutoramento houve as habituais alocuções do Reitor, dando conta do que se fez em 2004 e perspectivando 2005, e do Presidente da Associação Académica da Universidade. Foram ainda entregues as cartas doutorais a quem tivesse obtido o doutoramento no ano anterior.
Este é mais um dia para conservar na minha memória…

2005/02/15

Ensino superior politécnico (3)


(Retoma-se um tema que foi iniciado há dias)
Continuação dos
posts 1 e 2
Apesar do enquadramento institucional e dos compromissos com o Banco Mundial os primeiros tempos dos politécnicos não foram fáceis. Embora até ao final da década de 80 todos estivessem a funcionar, com maior ou menor dificuldade, foi necessária uma grande dedicação e perseverança para levar a bom termo a tarefa. Não cabe na dimensão de um post escrever história com muita minudência. De 1983 em diante deixei de ser um espectador (ainda que interessado) do que se ia construindo em relação aos politécnicos e passei a ser actor: nos começos de Fevereiro tomei posse como vogal da Comissão Instaladora da Escola Superior de Educação de Faro, a convite do Prof. Carlos Lloyd Braga (falecido), Presidente da Comissão Instaladora do Instituto Politécnico (todas as comissões eram nomeadas, não havia concursos). Nessa altura o IPF tinha mais uma Escola em instalação, a de Tecnologia; o seu Presidente era o Prof. Aristides Hall, da Universidade de Aveiro (também já falecido). Foi meu Presidente na Escola o Prof. Luís Soares ; o outro vogal foi o Dr. Alberto Melo. Deixarei para outras memórias o que representou para mim a ESE de Faro (de que vim depois a ser Presidente da Comissão Instaladora).
Ora um dos meus primeiros actos foi participar numa reunião de comissões instaladoras das diferentes Escolas, que se realizavam regularmente (quase sempre em Santarém) para discutir problemas importantes. Também os Presidentes dos Politécnicos reuniam periodicamente e a dada altura assumiram-se como Conselho Coordenador da Instalação dos Institutos Superiores Politécnicos, o qual chegou a trabalhar por comissões especializadas (Educação, Tecnologias, por exemplo). O grande problema que enfrentávamos era que a tutela não tomava decisões que para nós eram vitais. No caso das ESEs era necessário saber que tipo de professor formar. É preciso ter em conta que ainda não havia lei de bases do sistema educativo (só seria publicada em 1986) e nas reuniões divagávamos sobre o perfil desse professor. Havia quem defendesse um professor único para os 6 primeiros anos de escolaridade, quem apontasse para uma diferenciação total (4+2) e também quem se aproximasse do modelo que veio a ser adoptado (um professor bivalente).
Recordo-me de termos realizado diversos encontros, alargados a especialistas (no Algarve, na Aldeia das Açoteias, onde estiveram representantes de instituições congéneres do Reino Unido, França, Alemanha, Espanha e Noruega, mas também em São Pedro de Moel e em Tróia, Setúbal). Nesses encontros antecipávamos cenários futuros, enquanto, lentamente, se iam construindo ou recuperando edifícios, ia chegando equipamento e mobiliário e se iam também recrutando docentes para as escolas, mesmo antes de funcionarem.
A primeira escola a arrancar, em condições peculiares, foi a ESE de Viseu, ainda em 1983. Na verdade, a autorização para funcionamento dos cursos causou surpresa, porque se partia, verdadeiramente, no escuro. Só vários anos mais tarde se iniciaram os cursos regulares (1987-1988).
Os problemas que se punham às outras escolas não eram semelhantes aos que se punham às ESEs porque tinham menos constrangimentos (enquanto que em relação à educação era preciso extinguir as Escolas do Magistério, as escolas agrárias – Coimbra, Santarém, por exemplo – evoluíam naturalmente para o novo sistema, o mesmo se passando com os Institutos Comerciais e Industriais). Mesmo as escolas de Tecnologia e de Gestão eram mais livres para definir os seus currículos.
Mas nos finais dos anos 80 os Politécnicos criados estavam a funcionar.

2005/02/14

A Escola da Ponte


Já me referi à Escola da Ponte em post anterior. A referência de hoje é imposta pela notícia do Público: vai ser assinado dentro de poucas horas (minutos, talvez) o contrato de autonomia, o primeiro alguma vez firmado, entre o Ministério e a Escola.
Visitei a Escola da Ponte há alguns anos pela primeira vez e não pude conter a minha verdadeira admiração pelo que vi e ouvi. Iam comigo alguns alunos de um curso de mestrado e eles também ficaram perplexos. A Escola da Ponte era de facto uma escola diferente. Uma escola que segue referências distintas de (quase) todas as outras, privilegiando a aprendizagem, diferenciando-a conforme os alunos, colocando estes num ambiente favorável à assunção de responsabilidades, dando-lhes ocasião de exercitarem princípios democráticos. Uma escola na qual quase todos os alunos aprendem mesmo, desde o que se supõe devam aprender na escola elementar até aos comportamentos sociais e éticos – o aluno não mente, não deita papeis para o chão; em contrapartida pode mover-se livremente (ir buscar livros, sentar-se por momentos a ouvir música). Voltei lá mais algumas vezes, sempre em visita com alunos de mestrado e também do último ano da licenciatura. Na última vez a Escola já ensaiava o segundo passo – passar do 1º para o 2º ciclo, e apercebi-me que havia alguns pequenos problemas a resolver. Espero que tenham sido, e, agora, com maioria de razões, sejam resolvidos em definitivo.
Para o grande impulsionador desta ideia inovadora, que teve o grande mérito de nunca desistir e de acreditar sempre, o Prof. José Pacheco, envio os meus parabéns, extensivos ao actual responsável, o Prof. Ademar Santos (do Abnóxio).
Todos os que pensam a educação na sua verdadeira dimensão esperam ainda mais da Escola da Ponte; e que o acto de reconhecimento do Ministério não fique por aqui. É preciso que se continue a confiar nas escolas que mostrem capacidade para uma gestão eficaz.

2005/02/13


Ao procurar entre papéis antigos, encontrei este autocolante que devo ter comprado nos EUA em 1984... Que acham?

2005/02/12

Ministério da Educação e…?


Ao aproximar-se a constituição de um novo governo, é natural que surjam posts sobre ministérios e ministeriáveis… Dois posts de ontem, que pode ler aqui e aqui antecipavam com naturalidade mais dúvidas do que certezas sobre o futuro que espera a educação por parte de um novo governo.
Em relação ao primeiro tive ocasião de comentar e de defender o regresso do ensino superior à educação – que não é uma tese pacífica, como ficou claro em comentário sequente.
Recordei, então, as diferentes designações que têm sido dadas ao Ministério da Educação, ligando-o à Cultura, à Investigação Científica, Ciência… e achei interessante deixar aqui todas as que teve desde que a educação teve honra de Ministério….

Ministério dos Negócios da Instrução Pública (1870)
Ministério da Instrução Pública e Belas Artes (1890-1892)
Ministério da Instrução Pública (1913-1936)
Ministério da Educação Nacional (1936-1974)
Ministério da Educação e Cultura (1974-1975)
Ministério da Educação e Investigação Científica (1975-1978)
Ministério da Educação e Cultura (1978)
Ministério da Educação e Investigação Científica (1978-1979)
Ministério da Educação (1979-1980)
Ministério da Educação e Ciência (1981)
Ministério da Educação e das Universidades (1981-1982)
Ministério da Educação (1982-1985)
Ministério da Educação e Cultura (1985-1987)
Ministério da Educação (1987 – presente)

Interessante, não é?